Ética tucanaquéia, retórica pós-quintilianesca

Diante da denúncia do mensalão mineiro, Aécio Neves, probo candidato tucano à presidência da república, comentou:

“Mas essa questão está a tantos anos-luz do mensalão (do PT), que significou a utilização do estado para mensalmente pagar apoio ao governo. Se houve algum delito, deve ser punido, mas foi um momento da campanha eleitoral” (FSP, 8.12.14, p A-4).

Ah, bom! Então fica combinado assim: é crime roubar para ganhar apoio ao governo; não é crime (ou é crimezinho infinitamente menor) roubar em momento de campanha eleitoral. Ética é isso aí.

Aristóteles é monumental (ética, poética, retórica, lógica, política) mas precisamos reconhecer que Quintiliano, em matéria de retórica, foi mais longe, suplantado agora pelo descendente de Tancredo. A Europa clássica, mais uma vez, se curva diante de Minas e do PSDB.

Parabens pro Fernando!

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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