Eu também já fui moderno

Um amigo compartilhou no Facebook um banner com a frase: “Eu nunca assisti Game Thrones e nem estou com coragem de ver”. Já vai com milhares de visualizações e dezenas de compartilhamentos e comentários. Estou no time dos que não viram e nem pretende ver. Mas não é por nada demais. É que tenho pouco tempo disponível, sempre à noite, que prefiro dedicar prioritariamente à literatura e ao cinema, depois à musica e ao teatro.

Meu amigo escritor Demétrio Diniz andou vendo esses dias uma outra série, The Tudors, baseada na história de Henrique VIII da Inglaterra. Empolgou-se e me incentivou a assisti-la. Mas não me animei. Prefiro não começar nenhuma para não me “viciar” – rs. Porque todas devem ser boas e aliciantes. Disso não tenho dúvida.

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Por outro lado, pelo menos no caso de Game Thrones, a gente fica meio que sentindo-se um “diferentão” no trabalho, em algumas rodas ou nas redes sociais quando as pessoas se referem aos ‘serumaninhos” e episódios da série.

Parece-me que séries televisivas para adultos com tanta popularidade e fãs tão apaixonados como hoje são fenômenos relativamente recentes. Os comentários ao post “Eu nunca assisti Game Thrones e nem estou com coragem de ver” dão uma idéia dessa paixão pela série.

Copiei três: “Ser diferentão é bacana, mostra personalidade. Mas sejam diferentes com outra coisa, não com a melhor série no ar atualmente” bjs. “Quem não assiste GOT não entende metade das referências compartilhadas em sua time line. Que trágico!”. “Got (game of thrones) foi escolhida a melhor serie da atualidade. Caso não queira compartilhar disso , é a mesma coisa de dizer que não vale a pena olhar para cima e ver um meteoro que passa uma vez a cada 100 anos. Perder algo bom.” E por aí vai!

Acredito que essas séries atuais são fruto daquelas antigas exibidas no cinema, que a gente chamava de “seriado”. Claro, a Tv depois copiou a idéia. No cinema, menino de calça curta, ainda em Santana do Matos assisti muitas, do Super Homem, do Zorro, umas de monstros que me deixavam sem dormir, como se já não bastasse o medo terrível das almas, que aguardava toda noite para o acerto de contas final.

perdidos espaço

Na infância, mas já em Natal, continuei fã de séries, desta vez as da Tv. Jerônimo, herói do sertão,  Daniel Boone, Perdidos no Espaço e Viagem ao Fundo do Mar eram as minhas preferidas. Séries voltadas para o público infanto-juvenil mesmo. Recentemente, por acaso, assisti um pedacinho de Perdidos no Espaço. Tudo tão singelo e ingênuo, de comover, mas que marcou, não tem como esquecer a voz dublada do Dr. Smith.

Assistia em casa e nas lojas da Av. Rio Branco. Isso porque a nossa Tv, de segunda mão, estava sempre quebrada. Naquela época uma televisão nova era caríssima para o padrão da nossa família. A gente morava na Rio Branco, onde havia uma grande quantidade de lojas de eletrodomésticos. Parecia um shopping a céu aberto. Lojas que marcaram época e que desapareceram, como Casas Régio, de Reginaldo Teófilo, Galeria Olímpio, de José Olimpio, J. Resende, de Zé Resende, Casa das Máquinas, de Luiz Cavalcanti, A Sertaneja, de Radir Pereira.

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Como a cidade era relativamente pequena esses empresários eram conhecidos, alguns deles ficavam a frente do negócio e se destacavam na sociedade. Destes, recordo bem de Luiz Cavalcanti porque um filho dele estudava comigo no Churchill e tinha um carro incrementado, aquilo pra mim era sobrenatural. Além disso, o pai passeava pela cidade com um moderníssimo e raro Dodge Dart conversível, carrão que chamava atenção por onde passava.

As lojas e seus donos, o Churchill, os Cines Rex e Olde, jogo de bola na rua Princesa Isabel, as séries que vi, tudo virou história, lembranças de uma cidade e seus habitantes que o tempo ceifou. Mas, resta o consolo de que eu também já fui moderno e andei em sintonia com as séries e a vida, por assim dizer.

Comments

There are 3 comments for this article
  1. thiago gonzaga 28 de Junho de 2016 17:23

    Oi, Tácito,
    Já considero esse , o seu melhor texto do ano, pelo menos até agora. rsrs
    Muito boa a sua explicação sobre esse fenômeno atual, que eu tbm não vejo, mas ouço muito falar, e sua volta no tempo com as clássicas series, digamos assim.
    Enfim, esse é um dos seus textos que merecem ir para um livro..

  2. José de Castro 28 de Junho de 2016 23:38

    Numa coisa você tem razão, amigo Tácito… A maioria das boas séries (muitas delas no NETFLIX) são realmente VICIANTES… Tem algumas mais antigas, como LOST (que na época foi bem marcante) e 24 horas… Curtia muito ambas… Até que tenho tempo. Mas tenho também um pouco de medo de me viciar e acabar deixando de lado a minha literatura que considero importante… Mas procuro não ficar muito por fora (pretendo ver algum episódio de GOT… e correr o risco…rs). De qualquer forma, essas séries são anos-luz na frente das novelas globais… Estou com algumas indicações feitas pelos meus filhos, que são bem modernos… Depois que Plutão já foi planeta, bom saber que você também um dia foi moderno… Parabéns pelo texto…. Abraço…

  3. Tácito Costa
    Tácito Costa 29 de Junho de 2016 10:26

    Obrigado, amigo velho. Abração.

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