Eu vi o virtual se transformar em real e não gostei nem um pouco

Por Tácito Costa

Recentemente fiz um curto comentário, afirmando que as pessoas tendem a ter comportamentos sociais diferentes, nas redes sociais e na vida real. Por exemplo, agressivas nas redes e cordiais no cotidiano, na vida velha ordinária.

Gostaria de complementar que existem exceções, algumas são exatamente como aparecem nos ‘Facebooks’ da vida. Principalmente se os temas forem política e religião.

Lembro, contudo, que alguns teóricos já admitem não fazer sentido mais essa separação. O virtual é o real e vice-versa.

Retomo o assunto do comentário, agora a partir de uma experiência concreta que compartilho com vocês. Eu não esperava que o problema levantado aqui de forma empírica acabaria se concretizando em tão pouco tempo.

Na última quinta-feira, 04, feriado, fui passear no Praia Shopping. Já para o final do passeio, encontrei com um amigo do PT, que estava numa mesa de um café com outras duas pessoas. Convidado, sentei e começamos a conversar.

Pouco tempo depois, chegou outro amigo meu, anti-petista, que conhecendo a todos na mesa, também sentou-se. Ambos têm forte atuação política nas redes sociais, mas até onde eu sei mantinham relações sociais relativamente cordiais.

Em instantes começou uma discussão feroz entre os dois e que somente não terminou em pancadaria porque eu usei todas minhas forças para evitar o pior, conseguindo retirar a força um dos oponentes do local.

Dois intelectuais jogando a razão e o bom senso no lixo e se comportando como celerados. Como diria aquele meu amigo: “fiquei passado”! E por muito pouco não levei uns tabefes de graça, sem ter nada a ver com a arruaça.

Claro que essa violência que presenciei no café é consequência direta dos discursos de ódio e do clima de intolerância e desrespeito vigente nas redes sociais. Acho que é evidente para todos que isso iria acabar assim, só falta mesmo internautas andarem com peixeiras, soco-inglês e navalhas se matando por partidos, políticos e teses que não valem o que o gato enterra.

Que comportamentos e atitudes como esses não constroem nada de bom parece-me evidente. Então, é nos resguardar para não cair em ciladas que a toda hora os insensatos tentam nos enredar, nas redes sociais e na vida real.

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Anchieta Rolim 8 de Junho de 2015 16:13

    É isso aí, Capitão! “…só falta mesmo internautas andarem com peixeiras, soco-inglês e navalhas se matando por partidos, políticos e teses que não valem o que o gato enterra.” Concordo! O Brasil, só será uma grande nação, no dia em que os brasileiros começarem a defender o país como um todo. Deixando para esses políticos, apenas o dever e a obrigação de fazerem o que lhes é de direito. Ou seja: Administrar o dinheiro público para o bem comum e não ficarem aí passando a mão no que pertence a todos nós. Pior ainda, é que tem quem defenda certos tipos. Enquanto essa mentalidade não mudar, continuaremos assim…nau à deriva…

  2. thiago gonzaga 8 de Junho de 2015 19:53

    Essas pessoas, caro amigo Tácito, precisam ler um texto de Antonio Candido chamado
    “O Direito A Literatura”, onde ele explica o “refinamento” que a literatura causa no ser humano, após a leitura de bons livros. rs

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