Evangelho de João, vs.1-13

Por Márcio de Lima Dantas

Se o verbo estava no princípio,
e era desde já e sempre
o próprio divino, então haveria
um mundo no qual as formas,
as palavras e as idéias
repousavam numa esfera distinta,
independente e autônoma;
assim, a chamada realidade em sua
natureza concreta, onde pensamos,
sentimos e sofremos, não passa
de sombras, tanto é que no budismo
é muito cara a noção de maya,
visto tudo ser ilusão, ser produto
da apreensão do cérebro como
um sentido como outro qualquer
(o que é bem interessante).
Ora, se o próprio Deus está subordinado
a um lugar mental, a uma função,
então só pode ser compreendido como mito,
nunca como edificador de instituições
chamadas igrejas. Desse jeito.
Muito tempo depois de Platão,
houve quem proclamasse outros
nomes para a mesma coisa,
então temos Jung com seus arquétipos
ou Durand com suas invariantes antropológicas,
por aí vai. A nomenclatura muda tanto
algo que perdura autonômico, desde sempre?
O certo não é o que se diz,
mas a eficácia ou as representações
outorgadas acerta ideia ou forma,
isso, sim, é o que importa,
o que deve ser levado em conta,
visto ser o simbólico, mesmo
criptografado, se o for, aquilo
que perdura e faz valer
quando dos humanos em potência,
permanecendo a energeia como
eventual aguardo, como paciente
e desinteressada espera, consoante
o ar do tempo demandar.

28.05.2012

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Jarbas Martins 23 de julho de 2012 10:07

    poema como uma dança bíblica entre palavras

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