Ex-ditador uruguaio pega 30 anos de prisão

“O ex-ditador uruguaio Juan María Bordaberry, de 81 anos, foi condenado pela Justiça em Montevidéu nesta quinta-feira, 11, a 30 anos de prisão por ter liderado o golpe de Estado que em 1973 dissolveu o Parlamento e implantou um estado de fato.

Esta é a primeira vez que um ex-ditador é condenado por ter sido ditador, e não por crimes cometidos durante seu governo ou casos de corrupção da administração ditatorial (em outro processo, Bordaberry já havia sido condenado por crimes). Os grupos de defesa dos Direitos Humanos no Uruguai celebraram a condenação contra o golpe de Estado, já que consideram que a decisão da Justiça consolida o Uruguai como exemplo de tradição democrática.

Bordaberry havia sido eleito nas urnas em 1972. Em 1973 deu um auto-golpe. Mas, em 1976 foi derrubado pelos próprios militares aos quais havia aberto o caminho para o Estado de fato. Bordaberry também ficou famoso pelo verbo que originou com seu sobrenome: “bordaberrizar”. Isto é, colocar um presidente civil como figura principal aparente de um governo na realidade controlado por militares.

A pena de 30 anos foi pedida pela promotora Ana María Tellechea em agosto de 2009 e é a mais severa na legislação penal do Uruguai. A promotora disse ter falado com “a juíza atuante, Mariana Motta, na quarta-feira, e confirmou que a decisão já havia sido tomada. A sentença foi proferida oficialmente nesta quinta.

Bordaberry, atualmente com 81 anos, está em prisão preventiva desde 2006, que atualmente cumpre em casa por razões de saúde. Além de violação à Constituição, figuram nas acusações a Bordaberry onze homicídios e “desaparições forçadas” de presos políticos cometidas pela repressão a partir de 1973″. ESTADÃO

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No Brasil, é que o sabemos. Todos os generais e seus asseclas se safaram.  Ainda ontem, no Jornal Nacional, o líder do DEM, senador José Agripino, um dos que foram beneficiados pela ditadura (prefeito biônico de Natal) defendeu o general demitido por criticar o Plano Nacional de Direitos Humanos. Atitude não de oposicionista, mas de irresponsável, em primeiro lugar.

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