Existe literatura potiguar?

Por Sérgio Vilar

Com inserção tímida nas escolas e livrarias da cidade, livros de autores locais têm prestígio restrito a eventos da área.

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Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. Ramon 16 de novembro de 2011 18:48

    Que existe literatura potiguar, existe. Mas pra encontrar ela por aí tá difícil. A galera tem que usar mais a internet pra aparecer se não depois vai ficar reclamando que não são lidos e que não tem leitores. Não é só o leitor que tem que sair a caça da literatura potiguar não. Os escritores tem que aparecer mais. Não existe mais essa conversa de não sei usar o computador, não gosto de facebook e twitter. A turma da literatura e das artes visuais (outra área de talentos escondidos) tem que se mirar na turma da música. O povo tá com a cabeça bem aberta, suando a camisa, se interessando pelas novidades e divulgando o trabalho em todas as plataformas possíveis.

    E outra coisa, na verdade um preconceito meu. Tô de saco cheio desses livrinhos de memorias, de crônicas do passado. Não aguento nem mais esse termo Belle Epoque. Chegamos nos anos dois mil. Vamos olhar pra frente, escrever sobre o novo sem sentimento nostálgico. Se bem que essa tarefa poderia ficar nas mãos dos mais novos. E os jovens autores são poucos.

    Sei lá, posso estar errado, mas acho a literatura potiguar bastante careta.

  2. Mário Gerson 15 de novembro de 2011 16:07

    Caro Luís, se você se refere ao meu comentário, veja como assinalei o estudo referente à obra de Demétrio. Não o mencionei em “universidades”, mas “em escolas”, ou seja, entre professores que ensinam literatura potiguar aos seus alunos. No entanto, agradeço sua gentileza, aliás, sua generosa contribuição a este debate, tão salutar para todos. Ademais, Demétrio merece ser estudado sempre. Aliás, não apenas ele, mas outros importantes autores do Estado. Um grande abraço…

    PS. Obrigado por me atualizar com sua observação.

  3. Luís Costado 14 de novembro de 2011 19:21

    O senhor encontra-se desatualizado, ó mossoroense, grande poeta e artífice da palavra O poeta já foi objeto de estudo do Prof. Márcio Dantas e do poeta Paulo de Tarso.

  4. Mário Gerson 14 de novembro de 2011 18:07

    Há o grande problema do amadorismo de alguns autores e também do desconhecimento literário de quem, professor de literatura, deveria conhecer a produção local. Ademais, acho que Marcos Silva elencou bem alguns pontos importantes para um debate sobre a nossa produção – não apenas a atual, mas a que deixa de circular devido à ignorância de alguns. Além disso, grande parte dos nossos impressos não tem interesse em literatura. Na GAZETA, onde coordeno um caderno (quase) literário, são poucos os escritores que nos procuram. Uma parte é procurada, de forma insistente, para entrevistas. A outra se esconde – não sei se por vergonha ou algo semelhante. Há espaços virtuais muito bons também.
    Outros pontos: onde estamos publicando nossa literatura? Apenas no papel? Quem está nos lendo? Quem toparia um mapa da nova realidade literária do Estado? Por que somos um Estado dos mesmos nomes? Onde estão os novos talentos da literatura potiguar? Como encontrá-los e de que forma poderíamos compartilhar isso com o maior número de pessoas? Existem jornais literários no Estado?
    Edito um jornal literário e alternativo, que entrevistou, em seu último número, um grande poeta não estudado em escolas: Demétrio Vieira Diniz.
    Digam-me, pois, onde aportaremos nós e as igrejas literárias que se formam para a louvação do próprio umbigo? Amém.

  5. Marcos Silva 14 de novembro de 2011 9:04

    Sérgio:

    A circulação do pensamento é um grave problema, com certeza, e não só no RN. Dos que eu citei como fortuna crítica, a maioria publica em circuito universitário, limitado numericamente – Tarcísio manteve o programa Memória Viva na TVU, de maior alcance. Os jornais, atualmente, abrem pouco espaço para crítica, existe, quando muito, noticiário sobre literatura.
    Apesar de limitada, a universidade ainda garante sobrevivência para aquele tipo de reflexão. Uma meta democrática seria garantir maior abertura da universidade à população em geral. Instituições como academias e associações de escritores poderiam participar desse esforço.

  6. Sergio Vilar 14 de novembro de 2011 7:30

    Fala, Marcos!
    Concordo com o que você disse aí. E na fortuna crítica colocaria mais alguns. Agora, onde eles escrevem? E pra quem? Capacidade eles têm, diria até que indiscutivelmente. Mas se não exercem com regularidade, não considero críticos. Aliás, entrevistei um desses citados pra matéria (em uma retranca que não saiu) e ele mesmo disse isso: “Não sou porque não exerço com regularidade). Rejeito a ideia de que temos crítica literária na cidade. De resto, concordo com você, sobretudo na questão do mercado. Muitos foram os escritores descobertos depois de mortos.

  7. thiago 13 de novembro de 2011 19:38

    A Literatura Potiguar não deixa a desejar em nada comparada a de outros estados brasileiros.

    E a maior prova disso esta reunida no blog 101 Livros do RN ( que vc precisa ler). Temos vários mestres , na poesia, na cronica, no conto, enfim ,são muitos escritores com qualidade no nosso estado.

    Eu acho que faltam apenas politicas de incentivo .

  8. Marcos Silva 13 de novembro de 2011 12:10

    Penso que a questão pode ser dividida:
    1) Existe produção literária potiguar? Jorge Fernandes, Zila Mamede, Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Diva Cunha, Marize Castro, Paulo de Tarso Correia de Mello e – last but not least – Cãmara Cascudo, dentre outros, respondem facilmente.
    2) Existe fortuna crítica da literatura potiguar? Moacy Cirne, Tarcísio Gurgel, Humberto Hermenegildo de Araújo, Claudio Galvão e tantos outros, em diferentes direções, respondem facilmente. Alguns manuais de literatura brasileira não incluem autores potiguares por mera ignorância de quem os escreveu, não por fragilidade dos escritores norte-rio-grandenses.
    3) Existe debate escolar da literatura potiguar? Depende das escolas, é claro. Depende das literaturas ensinadas nas escolas, é claro. Alguns autores potiguares são parte do cânon nacional, deveriam ser estudados nas escolas. Outros não chegaram a tanto mas são importantes intrinsecamente, ajudariam muito na formação de jovens e adultos se lidos de maneira decente. Aviso aos navegantes: muitas escolas, pelo Brasil, lêem Camões, Machado de Assis e Carlos Drummond indecentemente.
    4) Existe mercado para a literatura potiguar? É muito restrito, com as exceções de praxe – Câmara Cascudo à frente. Vivemos numa sociedade capitalista, o mercado é importante para a sobrevivência dos escritores. Mas nem tudo é mercado na sociedade capitalista e na literatura: Cruz e Souza e Orides Fontela morreram em extrema pobreza, o que em nada diminui sua qualidade. Não é o mercado quem define a qualidade de uma literatura.

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