Expedições Literárias

Por Roberto Cardoso (Maracajá)
Reiki Master & Karuna Reiki Master
Jornalista Científico
FAPERN/UFRN/CNPq

A crise hídrica provoca cidadania. Um efeito da hidro cidadania. A falta de água no limite da agonia, provoca ideias para serem implantadas e compartilhadas. Thiago disponibiliza seus livros para quem tem alimentos e agua, para suprir a fome e a sede. Livros para suprir outras fomes e outras sedes, resumidas pela palavra conhecimento.

Thiago Gonzaga estreia uma ideia, com uma nova possibilidade de uma releitura in loco de “O quinze”. O poeta, escritor e pesquisador Thiago Gonzaga lança seus livros pelas janelas. Lançou a ideia de escritores embarcarem em um ônibus, com destino a região do Seridó, levando alimentos trocados por livros. Janelas rodoviárias que emoldurarão um cenário em movimento, em um quinze de um novo século (1915-2015). A seca já era esperada pelo conhecimento empírico. A seca que vai tornar-se cientifica, por seus dados e acontecimentos anotados e computados em relatórios, de laboratórios surgidos da academia.

Thiago Gonzaga plantou uma arvore na Nobel da Salgado, a avenida com arvores centenárias em Natal. Arvores que viveram outras secas, e acompanharam o crescimento da cidade. Hoje podem estar condenadas, por ameaçar os carros, que transitam sob suas sombras, e que ao longo do tempo ameaçaram seu habitat, com balanços e solavancos em seus caules, troncos e suas raízes.

Thiago lança uma semente para trocar livros por alimentos, uma arvore com novos frutos. A arvore de Thiago tende a ser, não só uma ideia, mas um marco para poetas, escritores e outros profissionais de segmentos literários, ligados a produção, e a venda de livros: o ato de trocar o alimento da mente por alimentos emergenciais, que alimentem o corpo, raiz da mente. São os membros inferiores e superiores que movimentam o corpo, a casa da mente. São os braços e as pernas que ajudam a mente construir histórias, construir conhecimento. Levam a outros lugares e abrem caminhos, associados as atividades organolépticas.

A política atual vem sinalizando que é o momento de arregaçar as mangas e calçar a bota. O que o governo não faz a expedição de Thiago pode começar a fazer, começar uma busca de novas descrições, sem um olhar cientifico e político, que precise de ensaios em laboratórios, e decisões políticas e administrativas.

Foi em uma expedição que Euclides da Cunha construiu um conhecimento. Levou para a cidade grande naquele momento, as descrições grafadas por suas letras e sua mente. Descreveu o ambiente, descreveu o homem sertanejo e por último descreveu uma guerra. Fez descrições a partir de seus olhares, de engenheiro e jornalista correspondente. Uma guerra injusta contra o povo que entendia a sua própria terra, com vivencias, ausências e sobrevivências. Um dos massacres promovidos pela civilização, sobre o homem que vivia interagindo com o ambiente.

Combates contabilizados contra cidadania, contra caipiras. Combates contra um conhecimento construído. Combates contra casebres, com carabinas, com canhões: Cangaço, Canudos, Caldeirão, Contestado …. Combates contra comportamentos.

Sertões e Veredas construíram um conhecimento. O escritor não é apenas alguém que escreve histórias em tons poéticos. É o escritor que determina a direção de seu texto, com poesia, com ironia, ou com os conceitos da academia. O conceito acadêmico com desvios padrões, com comparações com outras literaturas consagradas, com incógnitas e ideias derivadas. O escritor escolhe suas dialéticas e trilogias. Cria teoremas, leis e teorias.

Expedições constroem um conhecimento e abrem caminhos. A expedição de Thiago levara Caminhas para produzirem cartas e conhecimentos. Gonzaga se propõe a iniciar uma primeira expedição com destino ao Seridó, sem estar fadada a ser a última. A expedição levará viveres coletados, para a população vizinha ao açude de Gargalheiras. Começa com a letra A em Acari, e fará pesquisas de análise e reconhecimento. Pesquisas históricas e sociais, coletadas por exploradores e expedicionários, captadas por seus olhos, e grafadas por suas penas. Olhos que fotografarão e arquivarão cenas da seca de 2015. Cenas semelhantes a seca de 1915, adaptadas a um novo cenário, de um novo século com pesquisas, engenharias e tecnologias. A seca já fora relatada pela estreante literária Raquel de Queiroz ao escrever “O Quinze” (1930). A expedição atual levara alimentos, e trará histórias. Uma troca simbólica, sem contratos monetários e de firmamento.

Entre Natal/RN e Parnamirim/RN, 3/09/15

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