EXTERMINADOR EXTERMINADO

Enquanto o mundo dá voltas
ele não pára pra pensar

O mundo, a saber, são as pessoas
que nele rodam
inutilmente

Eu vejo a morte em capas de revista;
videoclipes, propagandas…
Nas curvas de uma escrava branca
soterrado em dunas
invisíveis

As dunas, a saber, são as pessoas
em que me escondo
covardemente

Panopticos senhores interditam meus passos,
passeio estrangeiro,
nada nos bolsos,
e descalço.

Os maus, eu e você, vidros em caco,
à sub-sombra de holofotes apagados,
expostos ao sobrevôo de urubus,
morrendo tão
urgentemente

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. gustavo de casfro 28 de julho de 2011 12:59

    belíssimo poema.

  2. nina rizzi 28 de julho de 2011 10:51

    estava ansiosa em fazer essa leitura, mas ela é bem mais dorida em lábios livres, voz asmática.

    estou no interior, estamos construindo coletivamente as matrizes curriculares das escolas do mst. vc adoraria. e eu ainda me arrepio.

    te deixo.

    descalça

    não é a terra
    : andam estrangeiros
    meus pés.

    te beijo.

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