Fábrica de impunidade

“Ao decidir investigar o mensalão mineiro, o STF fez a coisa certa: jogar duro contra o caixa 2.

Os mensalões do PT, do PSDB mineiro e do Distrito Federal não são processos identicos nem revelam o mesmo grau de periculosidade. Mas todos eles expressam a impunidade reinante no país.

Sou a favor de uma reforma política. Nossas leis são inadequadas e criaram uma industria de impunidade. Ao contário do que se vê nas penitenciárias de criminosos comuns, os bandidos de colarinho branco não fogem da cadeia. A imensa maioria sequer é colocada atrás das grades. Escapa com apoio da lei, pela porta da frente — e honorários de grandes advogados.

O fato de José Roberto Arruda sequer ter sido julgado pela quebra do sigilo do painel do Senado — ocorrido em 2001 — é um dado eloquente das brechas legais que a turma tem à disposição.

Um levantamento sobre uma década de atividade do STF mostra que até agora nenhum político foi condenado por corrupção.

Se nossas leis não forem revistas e reformuladas, as denúncias e investigações podem aumentar a audiência da mídia, pode construir reputações de procuradores — mas não irão ajudar a construir um país melhor e justo.

Até lá, o maior erro seria cruzar os braços.

A decisão do Supremo mostra que é possível fazer alguma coisa. É possível fazer mais.” Paulo Moreira Leite – Época

ao topo