Fabricius : um artesão do oitavo dia

Fabrício (Fabricius) é um artista. Seu nome quer dizer isso mesmo: Artífice. Um artista de Natal. Quase ninguém conhece. Ele não conhece dinheiro e tem uma vida própria. Tem vergonha de aparecer para o povo que invade o seu mundo. Um artista anônimo como tantos outros em Natal e no mundo. Filho de um grande artista, um dos maiores de Natal, também desconhecido. Seu Santos faz cadeiras maravilhosas de troncos de árvores, caçadores e é um dos maiores santeiros de Natal. Ontem trouxe para mim um lindo pescador.

Fabrício, seus pais e irmãos moram numa casinha humilde no bairro das Quintas, perto do lendário rio das lavadeiras de roupas e dos bailes assustados que assistia na minha infância quintense. Em sua casa muitas toras de madeiras, blocos de rochas e muitas ferramentas para esculpi-las. Instrumentos rústicos de artistas. Sim, porque o que Fabrício e seu pai dobram, esculpem uma arte feita com muito amor e sabedoria dos verdadeiros artesões do reino da lua.

A idade cronológica de Fabrício beira os 20 anos, mas a idade real é a de um menino que vive em estado de graça e poesia. Nos últimos dias estar muito deprimido e preocupa a todos. Suas talhas esculpidas pacientemente são válvulas de escape de um mundo que não é seu. São vôos para mundos habitados pelos poetas e fazedores. Não aceita sugestões e também não gosta de explicar os motivos de suas peças. Cada uma diferente e original. Os temas são ligados á natureza: Tigre, araras, bois e carros, Homens trabalhando com a enxada, mulher transportando água em galões, cangaceiros, jangadas, cercas de pedras, homem montando burro e muito mais.

Uma arte de um menino- homem – poeta do formão e da madeira que ganha as formas que só Fabrício sabe artesanar. Fabrício, algumas vezes tenta sair pelo portão e ir vender suas peças. Seus pais impedem e têm medo. Ele não conhece e o mundo é mal. Tão pouco sabe o preço das peças. Seu querido pai, sabendo do meu amor por essas coisas, pediu que eu o “ajudasse” comprando algumas peças. Lógico que comprei várias para a alegria de Fabrício que disse está tomando banho e não podia vir.

Farei qualquer coisa para tirar Fabrício dos remédios que o deixam torto e lelé. Desejo Fabrício artesanando e estudando, sem puxar muito pelo juízo. Ele é uma criança que precisa de atenção e arte. Quem tiver alguma sugestão para ajudar o Fabrício, posso ser o intermediário de um grande artista que vive em estado de menino.

Salve Fabrício.

Um grande abraço.

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Maria Aparecida Anunciata Bacci 17 de maio de 2018 17:53

    Parabéns João da Mata mais belo artigo,trazendo a luz mais um artista de sua terra.

  2. Tânia 8 de abril de 2010 21:21

    João,
    Gostaria de conhecer o trabalho de Fabrício e do seu pai. Me envie informações de como poderei conhecê-los. Pode usar meu email. Abraços, Tânia.
    taniac13@yahoo.com.br

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