Fadiga de material

O grupo Organizing for America tem 13 milhões de integrantes. É a estrutura montada por assessores de Barack Obama depois que ele foi eleito, aproveitando os voluntários da campanha.

Em tese, seria uma espécie de partido paralelo, capaz de pressionar congressistas a dar apoio ao presidente. Baseado sobretudo na militância digital.

O New York Times registra o que defino como fadiga de material. Um certo cansaço – e frustração – dos ativistas.

Embora eu seja um entusiasta da internet, acho que há limites para o uso político que se pode fazer dela. Mobilizar multidões requer algum tipo de discurso emocional. E a rede é cerebral. Ela estimula a diversidade de idéias e opiniões. Cada um, aqui, é sujeito de si. Campanhas pontuais podem até dar certo. Mas na rede os grupos tendem à atomização.

No caso específico do Organizing for America, é óbvio que conta a evolução do governo Obama. O presidente americano se elegeu montado em uma boa dose de idealismo, especialmente dos mais jovens. Mas a ficha de que é mais do mesmo está caindo, aos poucos. Especialmente pelo fato de que Obama se rendeu às negociações de bastidores com os lobistas que alguns esperavam ver escorraçados de Washington.

Aquela frase de que a “política é a arte do possível” deveria ser emendada para refletir que, para alguns, é “mais possível” que para outros. Como é possível que eu tenha tanto dinheiro e poder de organização quanto uma grande empresa para fazer lobby no Congresso? O que posso oferecer de volta a um senador em troca dele “votar comigo”? O dinheiro corrompeu completamente o sistema político.

A crise de representação nas democracias ocidentais é um fato, sem solução à vista.” LUIZ AZENHA

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