Fala tudo, Bolsonaro!

Por Fernando de Barros e Silva
FSP

O deputado Jair Bolsonaro é um tipo fascistão. Truculento, homofóbico, lida mal com as diferenças e os valores democráticos. Os gays, em particular, parecem deixá-lo “maluca” de raiva.

Sabe-se que indivíduos muito hostis ou agressivos, que se sentem ameaçados pela existência de homossexuais, costumam ser enrustidos. O ódio projetado no outro é apenas um sintoma, uma defesa contra si mesmo. Mas quem seria eu para suspeitar que existe uma “Jairzona” enjaulada na alma do capitão? O ser humano é complexo.

A polêmica envolvendo esse personagem de almanaque tomou, no entanto, outro rumo. Discute-se se ele, com suas palavras, praticou o crime de racismo e os limites da liberdade de expressão no país.

Preta Gil lhe perguntou: qual seria sua reação se um de seus filhos namorasse uma negra? E ele: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Meus filhos foram muito bem educados. Não viveram em ambiente como lamentavelmente é o seu”.

Digo logo: um país em que Bolsonaro não fosse eleito deputado tenderia a ser um lugar melhor. Mas pretender cassá-lo ou condená-lo por racismo em função dessa fala me parece um grande equívoco. Não só porque seria a melhor maneira de transformá-lo em vítima.

Mas, sobretudo, porque o que ele fez foi apenas manifestar a sua opinião. Grosseira, retrógrada, mas que representa uma parcela da sociedade. A liberdade de expressão nos garante a possibilidade de falar o que quisermos (nos limites da lei), mas também nos obriga a ouvir o que nos desagrada.

Bolsonaro incitou o racismo? E se ele fosse um negro e dissesse que não gostaria de ver sua filha casada com um branco? Seria racista?

Devemos ser bastante restritivos em relação a atos racistas. Mas seria bom que fôssemos também mais elásticos e liberais em relação às palavras. Temos deficit de cultura democrática. Deixem Bolsonaro falar. Ele é o seu maior inimigo.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Anne Guimarâes 6 de abril de 2011 12:53

    É isso aí, Marcos…
    Se ele é racista, preconceituoso e homofóbico… certamente não deveria ocupar um cargo onde se espera ( no mínimo) respeito com o cidadão do nosso país. E é claro que em meio a tantos escândalos na política, existem sim ótimas pessoas fazendo uma linda história. Achei lamentável as posições de Bolsonaro e espero que sejam tomadas as atitudes corretas. Assinei o manifesto contra ele e penso que se ele está no poder público é porque muitos de nós parece ter perdido o bom senso de quem deve nos representar. Dignidade não deve ser algo imposto e sim uma qualidade genuína.
    Abraços n’alma, amigo!
    🙂

  2. Marcos Silva 4 de abril de 2011 17:06

    Ninguém precisa deixar Bolsonaro falar: ele fala independentemente de nossas ações.
    Francamente: liberdade para falar crimes? Que liberdade é essa?
    Não é porque essa pessoa expressa crimes praticados por outros que ela deve ser deixada impune.
    Não tenho o menor interesse pela sexualidade de Bolsonaro. O que eu quero é que a Lei seja minimamente cumprida.
    Existe maior racismo que tornar mulher negra equivalente a vadia? Se fosse mulher branca, daria no mesmo.
    E não me venham com a hipótese de pai de preto contrário a ver o filho casado com branca. Estamos diante do fato palpável de pai de branco contrário a ver o filho casado com preta, automaticamente equiparada a promíscua.
    Em tempo: não tenho a menor simpatia por Preta Gil. Mas Lei não se confunde com simpatia.

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