Farol

À Christina Bielinski Ramalho

 

Desata o farol

sobre as asas que riscam

as cosmologias

(do espaço

e

do tempo):

luz-tinta;

matéria-prima;

gramática-bailarina;

língua.

 

Pisoteando o papel

em ponta de pé,

o bico da sapatilha

não fere o palco,

mas preenche

com piruetas (des)equilibradas

a ágora retangular

do caderno.

Os passos

coram o pano-cru

da primeira tecedura.

Depois,

o facho do cimo

se desprende do carretel,

passando a fiar geometrias

grifadas por agulhas

na célula renhida

do mineral ascético.

Os faróis rasgam mundos:

são girafas que planam

do rizoma

à copa.

Saltam:

da ótica que cavalga

sob o líquido lunar

ao silêncio pendular

do trapézio.

Cortam:

da ausência enigmática

da dúvida

ao fenômeno incestuoso

da verdade;

da fé.

Os faróis:

não são mais que faróis.

Dependem do ânimo

de quem embala

o pedal da máquina

que costura

letras.

 

Advogado, radicado em Aracaju, SE. Diletante das artes literárias, visuais e da boa convivência. Sobre ciência, devota seu tempo a sociologia, antropologia e política. Membro fundador do honorário Grêmio Recreativo Pombo Sujo e do Movimento Sinantrópico. [ View all posts ]

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