Farsa e política marcam nova peça proposta pela Casa da Ribeira no Natal em Cena

Contemplado no Edital Natal em Cena 2014, o espetáculo inédito “Lamatown – Quando a lama virou mar” será apresentado gratuitamente na Árvore de Mirassol (dias 4, 5 e 6, às 19h), no estacionamento do ginásio Nélio Dias (11, 12 e 13, às 19h) e na Praça Matriz da Cidade da Esperança (18, 19 e 20, às 20h). As apresentações integram a programação do Natal em Natal.

“Lamatown – Quando a lama virou mar” é mais um trabalho de realização da Casa da Ribeira através da dupla de criadores Clotilde Tavares (texto) e Henrique Fontes (direção geral), que em 2013 emplacou a peça “A Estrada ou O Milagre da Fé” na primeira edição do Natal em Cena.

No novo espetáculo, a co-direção de cena e direção de movimento levam a assinatura da norte-americana Michele Minnick, diretora de teatro, performer, pesquisadora e mestre de Rasaboxes – técnica de preparação de atores que ela tem difundido no Brasil, Estados Unidos, Turquia e Canadá, entre outros países.

Além de Michele, Clotilde e Henrique, vários profissionais integram o processo, como a produtora Mariana Hardi, o músico Gabriel Souto, a diretora e preparadora de atores Adelvane Neia, a preparadora vocal Heliana Pinheiro, o iluminador Ronaldo Costa, a premiada figurinista Katia Dantas, o estreante cenógrafo Daniel Torres, entre outros selecionados através de audição convocada por edital público.

Inspirado na ideia central do clássico “Um Inimigo do Povo” (1882), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, “Lamatown” tem um caráter farsesco, com elementos do teatro épico e do teatro do absurdo. O texto trata de forma cômico-trágica questões político-sociais comuns às cidades brasileiras, em especial, a Natal.

“A peça original ainda tem uma relevância surpreendente em si, sendo uma peça do século 19 – mas transcriá-la através de uma linguagem teatral contemporânea (não do realismo) e com referências ao local é algo muito interessante, especialmente por ser na rua, e não num ambiente fechado do teatro”, opina Michele Minnick.

Para Henrique Fontes, Lamatown é uma urgência. “Falar desse jeitinho brasileiro de querer sempre se dar bem sem olhar a quem, dessa corrupção dialogando diretamente com públicos os mais variados é urgente. Clotilde Tavares, descreve Lamatown como uma metáfora ampliada de uma cidade baseada na corrupção e no dinheiro. E coloca a questão fundamental: no jogo entre o poder, a política e o dinheiro, todos são culpados ou é possível algum tipo de redenção?.

TRAMA
Lamatown é uma cidade distante à beira-mar, onde os problemas sociais foram resolvidos graças à descoberta de um recurso natural milagroso, que a todos enriquece: a lama do mangue. Esse recurso atraiu turistas do mundo inteiro pelos seus poderes curativos, eliminando a depressão, o tédio e a tristeza que tomaram conta do mundo.

A história se passa em um futuro incerto quando, em Lamatown, os problemas com segurança foram resolvidos. Todos são ricos e felizes. O dinheiro “corre a rodo” e não existem pobres. Toda a economia gira em torno do uso lucrativo da lama medicinal pelos cidadãos lamatownenses, que ganham “lamapontos” para usar a lama e dar exemplo aos turistas, que compram tudo que é feito da lama.

Esse cenário, no entanto, não passa de uma distopia. Na verdade, a lama é inócua. Seu poder curativo é uma farsa montada por dois ou três proprietários do mangue, com a conivência das autoridades, e todos enriqueceram com o negócio. O totalitarismo e a corrupção imperam em Lamatown. E existe algo ainda mais grave que é revelado pela bióloga da cidade.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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