Farsantes às pencas (Lula, Serra, Gullar)

Amigos e amigas:

Ferreira Gullar, bom poeta, foi premiado internacionalmente – ele merece, claro. Sua entrevista na FSP de 2 de junho critica o governante Lula – classifica-o como farsante – e elogia o candidato Serra, a quem atribui bom governo em São Paulo.
Não tenho interesse em discutir a justiça ou não do qualificativo dedicado ao presidente da república. Quero comentar o elogio ao candidato Serra, levando em conta sua política salarial em relação aos professores da rede pública de São Paulo.
Assalariados, normalmente, recebem reajuste salarial a cada ano porque vivem em economias marcadas por inflação. Tanto a economia é assim que impostos e outras taxas que pagamos aos governos são reajustados com absoluto rigor e às vezes em intervalos menores que doze meses.
Em São Paulo, o ex-governador Serra criou um sistema muito peculiar de tratar os salários de professores: a categoria não recebe aumento; há um abono pago para aqueles que:
1) passarem por uma avaliação feita pela Secretaria de Educação (prova), obtendo determinada nota mínima.
2) trabalharem na mesma escola há um certo tempo (5 anos, se não me engano).
3) não tiverem determinado percentual de faltas ao trabalho num tempo específico de atuação profissional.
Quem satisfizer a todas essas exigências, ainda deverá se submeter a uma cota de 20% dos funcionários da escola que terão direito àquele abono.
Que significa isso? Que a MAIORIA dos professores não terá abono nenhum, mesmo que muito bem avaliada na prova, estável na mesma escola e sem repetidas ausências ao trabalho.
Isso é bom governo?
Por uma questão de justiça, penso que, além de Lula, a categoria farsante, entre nós, abriga, com imenso destaque, o candidato Serra. E abriga o laureado poeta Ferreira Gullar, ao denunciar a farsa de um e louvar a farsa do outro – antigamente, isso se chamava ideologia mesmo.
Farsantes não faltam neste país.
Enfim, a farsa é um gênero dramatúrgico que já rendeu bons frutos. Incentivemos todos a seguirem uma honrada carreira teatral.
Abraços a todos e todas:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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