Feliz dia dos Professores

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Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 18 de outubro de 2011 9:49

    O grande professor

    *Matheus Pichonelli * *17 de outubro de 2011 às 13:25h*
    Carta Capital

    ‘A sala de aula é o termômetro que permite descobrir, antes de todo mundo,
    as dores e delícias das mudanças’. Ilustração: Nina Moraes

    Em alguma hora dessas, há exatos dez anos, um professor de literatura
    entrava em nossa classe do cursinho, em Araraquara, para deixar em silêncio,
    durante mais de duas horas, cerca de 70 estudantes que pagavam o que tinham
    e o que não tinham para aprender todos os meandros do vestibular. Não sei
    como a coisa funcionava antes, nem como funciona agora, mas naquela época
    prestar vestibular ou fazer regime para emagrecer tinha praticamente a mesma
    lógica: pegava-se uma cartilha, que dizia o que era certo e o que era
    errado, e criava-se uma rotina de regras para atingir um objetivo específico
    de maneira rápida e eficiente. Integração com a realidade, função social,
    conexão com o entorno, noção do que serve para o papel e o que serve para a
    vida, aprendizado pela prática: via de regra, tudo parecia levar tempo
    demais para caber no resumo dos livros e das fórmulas que seriam abordados
    numa prova de poucas horas ao fim do ensino médio.

    Na escola particular (aquela era uma escola particular) o aluno era um
    cliente. Se o filho não passasse de ano, a culpa era da escola; se não
    passasse na prova, a culpa era da escola; se não saísse de lá com o Nobel, a
    culpa também era da escola. Se o cliente não estivesse satisfeito, ele
    simplesmente trocaria de escola.

    Quem estava na linha de frente de tudo isso, claro, eram os professores,
    sempre no tiroteio entre as ordens da direção, o luxo dos alunos, o luxo dos
    pais dos alunos e as ordens de uma lógica perversa. Lógica que hoje me
    parece clara quando lembro de um professor de história que, cansado de
    gritar pela atenção dos alunos, apelou para uma metáfora curiosa ao comparar
    sua aula ao McDonald’s. Para ele, os alunos que não prestavam atenção no que
    ele dizia eram como clientes da rede de fast food que, com o dinheiro dos
    pais, compravam hambúrgueres e, chegando em casa, jogavam as iguarias no
    lixo. Naquele dia, aprendemos mais sobre o mercado do que sobre história –
    mas o exemplo, ora com lanches do McDonald’s, ora com laranjas, limões ou
    maçãs, entrou para o anedotário da nossa turma.

    ‘Ao final de casa aula, muitos corriam para a biblioteca (ou para as
    livrarias): na voz dele, os livros pareciam ganhar vida, e se tornavam mais
    interessantes que qualquer assunto relacionado à nossa idade. Era um feito’.
    Foto: Celso Junior/AE

    Não sei quantos professores tive na vida, e não tenho dúvida do quanto
    todos, de alguma forma, estavam dispostos a abrir mão de uma vida de
    conforto para assumir a linha de frente de seu tempo. Sim: porque a sala de
    aula é o termômetro que permite descobrir, antes de todo mundo, as dores e
    delícias das mudanças, que se aglomeram a cada nova turma que se forma, cada
    uma com suas tendências, linguagens, gostos, valores e vaidades que se
    reciclam (sobre esse desafio, não conheço filme melhor do que “Entre os
    Muros da Escola”, de Laurent Cantet).

    Muitos assumiram este desafio, mas conheci poucos que conseguiram sair
    ilesos ao tentar domar as feras – ou fazer com quem elas ficassem em
    silêncio, encantadas com o que ouviam.

    Há exatos dez anos, meu dia da semana favorito era a terça-feira. Não porque
    era dia de futebol com amigos ou porque veria a namorada ou iria ao cinema.
    Era meu dia favorito porque era dia de aula de literatura, aula do professor
    André Luiz Guerra.

    No último sábado, dia do professor, comecei a me perguntar o que fazia dele
    o grande professor que tive nesta vida, mesmo depois de dez anos – e dezenas
    de professores que viria a conhecer na faculdade.

    Matheus Pichonelli

  2. Marcos Silva 18 de outubro de 2011 9:18

    Esse desenho é muito bom. Temos uma professora diante do mundo (globo na mesa e respostas dos alunos). Infeliz professora. Infelizes nós, diante do mundo e entre os alunos.
    Gosto muito daquela música de Jorge Ben (Jor): “Todo dia era dia de índio”. Ela nos lembra a hipocrisia dos “dias de”. Lembramos que os professores são infelizes somente no Dia do Profesor! Seá que tem um Dia de Todo Mundo?

  3. Angelina Cavalcante 18 de outubro de 2011 8:42

    Triste fim da educação, seria cômico se não fosse trágico.

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