Fernando Morais e Leandro Narloch trocam farpas na Fliporto

No debate mais acalorado da Fliporto (Festa Literária Internacional de Pernambuco) até aqui, no final da manhã de hoje, os jornalistas Fernando Morais, Leandro Narloch e Samarone Lima trocaram farpas entre si, provocando aplausos, gritos e vaias na plateia em Olinda.

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Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Victor Alberto Danich 20 de janeiro de 2012 0:25

    O livro “Guia politicamente Incorreto da América Latina”, dos jornalistas Leandro Narloch e Duda Teixeira, que cativou muitos leitores por sua linguagem irônica e depreciativa, não passa de uma visão estereotipada e fragmentada da história dos povos latinoamericanos e suas lutas pela descolonização. Nesse amontoado de informações, os autores assumem sem pudor sua repulsa pela cultura do continente desde México a Terra do Fogo, desmerecendo ao longo do texto a construção da identidade social dos nossos povos, não somente desvalorizando-a, senão tentando aniquilá-la por meio da alienação dos discursos típicos das elites colonizadas. O flagrante dessa distorção, manufaturada a duas mãos por meio de juízos de valor, torna-se clara no conteúdo ideológico das citações nas páginas destacadas em preto, que reforça o maniqueísmo que os próprios autores pretendem combater. Para isso destacam uma extensa bibliografia com publicações de pesquisadores progressistas, de modo a criar uma ideia de neutralidade e academicismo. A parcialidade textual desmente tal arranjo bizarro.
    Na verdade, o livro não passa de uma crônica feita para vender. Como todo texto moldado nesses padrões literários, seu conteúdo subliminar está direcionado a criminalizar o chamado “falso herói latino-americano”. Torna-se claro que toda a parafernália historiográfica está destinada a atingir indistintamente o Che Guevara, os povos pré-colombianos, Bolívar, os Haitianos, Perón e Evita, Pancho Villa e Salvador Allende, através da exaltação da problemática dos países e seus erros humanos como autoflagelo e atraso do nosso continente rumo ao desenvolvimento.
    A soberba do desconhecimento depara-se com o simplismo que o livro retrata ao dizer que América Latina “tornou-se uma ideia vazia quanto abrangente”, surrupiando dos leitores o legado atual dos ícones culturais criados ao longo do tempo, resultado das próprias “veias abertas” da exploração e a desonra. Perante a crise atual do capitalismo, o livro citado tornou-se velho. As novas políticas públicas de inserção social dos nossos governos resgatam as melhores virtudes do populismo clássico, para desconforto e horror destes senhores.
    Na verdade, tanto o cronista Leandro Narloch quanto Duda Teixeira (além de seu parceiro Diogo Schelp) são filhos pródigos da revista Veja, que se notabiliza por ser um veículo de desinformação. Mas usar a capacidade de escrever para criminalizar tudo aquilo que faz parte da nossa história latinoamericana, é no mínimo suspeito. Usa-se a referência do modelo de “pensamento único” tão próprio das novas classes gerenciais que comandam o mundo depois da implosão soviética e o fracasso do socialismo real. Eu lamento que estes senhores se reflitam nesses grupos de poder. Pior ainda, essa proximidade é resultado do intento de aceitação por parte de uma classe social categorizada como as dos “incluídos” globalizados. Ganhar prestígio desvendado as fraquezas humanas e descontextualizá-las do momento histórico, só pode enganar aqueles que carecem do hábito da leitura ou recorrem a uma única fonte de informação. Basta lembrar que o livro reedita os antigos padrões da “guerra fria” bipolar. Isso só pode ter como intenção definitiva descaracterizar o pensamento popular, que apesar de ser desprezado, ainda continua vivo no tecido social do continente.

  2. Marcos Silva 16 de novembro de 2011 0:24

    Parece o avesso de Balzac: Ilusões achadas.
    O livro de Narloch é assustadoramente péssimo, divulguei uma boa resenha dele feita pela historiadora Maria Lygia Prado. O livro de Morais é uma relíquia de nem sei quando. O anúncio de fim de ideologias é de uma ideologia gritante. Talvez Samarone seja um pouco menos repetitivo que os outros dois, pode melhorar mais, comparar o crepúsculo cubano com outros crepúsculos pelo mundo. O filme “Buena Vista Social Club” ajuda a perceber os impasses: um governo cego para seus tesouros (aqueles músicos, silenciados por tanto tempo), outro governo idem idem (aquele cineasta, multado porque nos fez recuperar tais músicos).
    Sobre a revista Veja, trevas totais.

  3. Jóis Alberto 15 de novembro de 2011 23:01

    Em texto que escrevi recentemente sobre a FliPipa 2011, e publicado aqui no SP, em certo trecho eu levantei essa possibilidade de ocorrer polêmicas e esse tipo de discussão na mesa que vai reunir os jornalistas Fernando Morais, de esquerda; e Cassiano Arruda Câmara, sem dúvidas um homem de direita. No entanto, vendo o nível ideológico desse tal Leandro Narloch, um cara que pelo que entendi da matéria da “Folha Ilustrada” defende o golpe de Pinochet contra o governo democrático e popular de Allende -, um golpe militar, o liderado por Pinochet, que torturou e matou milhares de pessoas -, então diante de um cidadão como esse, sem dúvidas Cassiano Arruda passa tranquilamente por liberal e democrata, que de fato ele é, até porque, até onde eu saiba, Cassiano é anticomunista, critica o socialismo, mas creio que dificilmente chegaria a esse ponto de defender ou legitimar uma ditadura militar, pois ele mesmo foi vítima do governo militar brasileiro, ao ser preso nos anos 60. Não vou à FliPipa, mas torço para que o nível do debate entre esses dois grandes jornalistas, Fernando Morais e Cassiano Arruda, seja muito mais elevado e inteligente do que esse debate que rolou na FliPorto.

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