Fernando Pessoa

“O poeta é um fingidor, assume Pessoa, mas de que tipo de fingimento se trata? Trata-se de um fingimento estético, não ético, extra-moral, portanto, e que se realiza pelo uso da linguagem. Através dela opera-se uma alterização, um tornar-se outro, como dizia Rimbaud, o que no caso de Pessoa acontece tanto com o ortônimo como com os heterônimos. Por isso as sensações, noção central na poesia de Pessoa, são meta-físicas, formas de devir-outro, como se o poeta quisesse experimentar essa potência infinita de se outrar, pela linguagem. Separar a poesia ortônima do conjunto formado pelos heterônimos não nos leva a um lugar mais seguro, simplesmente porque ortônimo e heterônimos fazem parte do mesmo processo generalizado de ficcionalização.” MADALENA VAZ-PINTO

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