Festa de Sant`Ana / De volta ao útero

“Num hái inverno que mói, as terras do coração”.
Fulô do Mato- Renato Caldas

No sítio Retiro foi lá que eu nasci nas terras de vovó, vizinha às do meu bisavô, mestre escola do Seridó, José Fausto de Araújo. Lá ainda mora tia Lia junto com as minhas primas e primo. Ali naquele capim, o lugar dos bailes onde mamãe dançava. O açude onde meu tio pegava piada. O arrozal.

E as cancelas que não tinham; Tio José mora na cidade e é o meu cicerone. Dos lajedos trago uma lasca e da casa onde nasci só restou os tijolos e um batente que dava para o quintal. Trago uma mostra da parede de dois tijolos e a sombra dos Pereiros e Juremas. A Favela que queima também é alimento da ribaçã.

Água ali só quando chove. O açudinho seco. O barreiro e a bacia do lajedo esturricados. O sol evapora as lembranças dos dias. Tia Lia está velhinha e cria galinhas. Vende na feira de Caicó.

No pequeno alpendre a tipóia veia suspensa pelas cordas. Tia Lia deita o corpo magro com a pele maltratada pelo tempo.

Tia Ana veio morar na cidade. Magrinha, magrinha como Lia. Aqui uma parte de mim. A lembrança que vivi nas recordações de mamãe. Foi numa festa de Sant´Ana como essa distante mais de meio século que vim de misto morar em Natal.

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