Festa de São João no Interior

O dia era de São João – meu xará. A festa começava boquinha da noite e a lua ia reinar majestosa. Só ela foi testemunha. Para chegar naquele lugar era muito longe. A noite cobria tudo, e as labaredas pretas qual línguas compridas pareciam monstros assustadores. Seus personagens eram formados de comboios imensos. A luz ali ofuscava e o som era ensurdecedor. Ninguém para consultar. A chegada a um posto policial foi um alívio. Teve que confessar estava perdido. O caminho era outro e o trevo do mapa não era o da sorte. Retornar tudo de novo. Melhor voltar para casa. Mas você não é de desistir fácil!. Algo o empurrava para aquele lugar longe. Poderia ser o final de tudo. O perigo pairava. Finalmente chegou a um lugar onde se ouvia um som. Será que é aqui? Mas parece um castelo guardado por seguranças armados até o pescoço. Entrar logo e tomar um whisky para relaxar. A sensação de solidão não diminuiu. Papo de irmão é sempre igual. Você não visitou mamãe? Ela teve um tremendo pesadelo com você. E a canjica? Branquinha como a neve!

O guardião do castelo achando é bom. Só assim eles conhecem o meu feudo. Grande coisa. Não esqueça que tudo é política. E o outro conversa: o mensalão * está até lá em casa. Não dar para ser mais original? E os bêbados, que seria uma festa sem eles?! Trocando as pernas pede mais uma cerveja. Olha pro céu amor. Anunciar a lua era um sinal. Banhado em águas escocesas alguém vem dar os parabéns. Será que é porque é o meu dia! Esse só aparece nas festas. A outra dançando sozinha. Não, não estou com vontade de dançar. Uma outra acena de longe. Como pode casada com aquele maracatú. E a festa não é de são João? Changê! Essa quadrilha sim não aquela outra. Cara agressivo. Até na festa. Um amigo chama para conversar e apresentar a namorada nova. È bonitinha, mas parece que fez um monte de plásticas. É hora de voltar. Novo suplício junino. Enfrentar aquela estrada de novo. Tudo parece ermo e distante. A sensação de solidão aumentou. E haja andar. Ali uma placa de Nísia Floresta. Deve ser por aqui. Sempre soube que Nísia ficava perto de Natal. Depois de muito andar mais um posto. Que seria sem um posto. Estacionar aqui. E agora? Farol alto, farol baixo. Os documentos, por favor. Meia hora para achar. O senhor bebeu? Não, só um pouquinho. O chapéu de palha e de cangaceiro denunciava. Com menor hálito o padre se embriagou. Para onde o senhor está indo? Para Natal, outra bandeira. Não era a estrada correta. Nenhuma razão. Ficar de quarentena. “Eu fiquei tão triste. Eu fiquei tão triste naquele são João”. Por sorte tinha uma bíblia no banco e o guarda deixou retornar. A gente faz cada associação.E tome estrada preta. Como a noite esticou aquela estrada.!!!

* mensalão = dinheiro pago a políticos para votarem os projetos do governo. Suborno que acontece em quase todos os domínios da sociedade civil e outras.

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