Festa em casa de pobre

Uma família de classe média baixa adora ir a festas na casa dos amigos. Quando, porém, a festa é na sua casa, a alegria do encontro vira tensão e nervosismo. Desde a véspera a agonia toma conta dos anfitriões. Será que isso vai dar? A bebida é suficiente? A casa comportará todos com razoável conforto? O clima do Brasil na véspera da Copa é esse. Um país que vive a ansiedade alegre de todas as copas, na casa dos outros, transformou a espera da Copa na sua casa num ambiente de mórbida e agoniada espera. Não há clima de Copa. Há uma disputa de sandices, com bobagens ditas de cada lado. O lado que defende a Copa divulga sem escrúpulos um “legado” que já provou ser mentiroso em outros países do nosso nível. E o lado que condena a Copa aqui também não pondera nem mede as bobagens ditas. No meio disso tudo um futebol caro e feio. Só não é tão feio quanto a miséria pública que banha todos os segmentos da vida social, econômica, política e cultural do Brasil. O Brasil é a casa de pobre, que sustenta ricos à custa da desgraça da maioria. É nessa Democracia de miçanga que receberemos nervosamente os visitantes da festa, sob o comando da FIFA, mãe corrupta de filhos que se dividem em cúmplices ou abandonados.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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