Festival de Gramado

Cena de ‘Ex isto’ / Divulgação

Por Rodrigo Fonseca
O Globo

Após sete dias devotados à autoralidade, o 38 Festival de Gramado encerra hoje a sua programação de filmes com a nova experiência de linguagem de um dos mais radicais documentaristas do país: o mineiro Cao Guimarães, cuja filmografia gravita pelas franjas entre artes plásticas e cinema. Programado em sessão hors-concours um dia antes da premiação (agendada para amanhã), “Ex Isto” é um diálogo do diretor de “A alma no osso” com o romance “Catatau”, do poeta paranaense Paulo Leminski (1944-1989). Nas telas, o baiano João Miguel vive o filósofo francês René Descartes.

– O que mais me marcou ao ler o livro foram o fluxo do texto e a musicalidade ao lê-lo em voz alta. Só conseguia fazê-lo assim, como uma pororoca verbal. Queria então preservar essa característica no filme, criando um aspecto propositadamente antinaturalista- conta Cao.

A escalação de “Ex isto” para fechar Gramado 2010 é uma espécie de estandarte para o projeto de curadoria proposto pelo crítico José Carlos Avellar e pelo documentarista Sérgio Sanz, de evitar concessões comerciais.

– Fiquei muito feliz e honrado com o convite para encerrar o festival em uma sessão fora de competição, pois é uma espécie de reconhecimento pelo trabalho autoral sem concessão que faço há uma década – diz Cao. – Espero que este filme, talvez até mais radical do que meus anteriores, possa ajudar a abrir novas perspectivas e redesenhar uma nova cara para um evento que deve homenagear/pensar/exibir/divulgar o que entendemos por arte cinematográfica, e não o que finge passar por isso em nome de um glamour que só me cheira a atraso e decadência.

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