Fiapo

Por Carlos Gurgel

me olha assim
como um fiapo

entre colchas de atalhos
e de uma rubra luz
que alucina binóculos e vadios barcos de pesca

como se eu fosse
uma piscina furta cor
absorvida por poemas e seringas

e a serpente
que de tão folgazã
sacia sua vida
rima irmã
de seu capacho e sobrado.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Carlos Gurgel 5 de janeiro de 2012 19:37

    keisso Jarbas! somos tão cúmplices dessa cidade. ao redor dos morros, praças, alumbramentos. sou assim mesmo um pe(s)cador desse tilintar entre morros e manhãs. meu pai, sim, como um sol/sal destila sua franqueza entre essas ruas e jardins. tudo do que imagino que rascunhei, ou tudo do que imagino que ainda rascunharei é semelhante a um lustre por sobre o símbolo do meu pai. sou só a sua míngua sombra, como o almoxarife das suas límpidas palavras. meu abraço, Jarbas!!

  2. Jarbas Martins 4 de janeiro de 2012 9:25

    conheci o talento poético de Carlos Gurgel, quando ele tinha doze, treze anos, e eu frequentava a casa do seu pai, o grande poeta Deífilo, meu colega de faculdade.lembro-me que uma noite, depois da terceira dose de uísque, profetizei : o poeta Carlos Gurgel será o pai do poeta Deífilo.

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