Filmes que vi

Cena de Baran

Por Márcio Dantas

BARAN (chuva) & OSAMA

Sobre um fenômeno durante o Taleban: as mães miseráveis vestiam as meninas de menino para trabalhar, sustentar a casa, labuta pesada. O primeiro é ambientado nos campos de refugiados do Irã (1,5 milhão de pessoas; algumas nasceram nos campos e não conhecem seu país…); o outro, no Afeganistão (mostra a educação no Islã; até como se assear, tomar banho, ablução, comer, etc; etnologicamente muito precioso). Sem muitos diálogos – como é do feitio do cinema advindo do Oriente: contar uma história por meio de imagens, sem o signo verbal. Fica uma espécie de cinema “puro”, sem o parasitismo que sempre foi inerente ao cinema com relação àquela que não gosta nem um pouco dele (cinema). A Literatura recuou para si, fechando-se, autodevorando-se (Clarice Lispector, Joyce, Virgínia Woof), como sabemos. O cinema arvorou-se a fazer o que a narrativa sempre fez: contar algo, dizer de, sobre; ainda por cima, de maneira mais eficaz: por imagens! (na literatura, o leitor terá que construir na sua cabeça, visto ter acesso tão somente ao signo verbal, a palavra escrita). A Literatura nunca foi capaz de perdoá-lo. Início do seu fim, começado, uma tradição de leitura, por volta do Medievo?

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