Filme sobre Snowden ganha Oscar

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Andrew Pulver [“Edward Snowden documentary Citizenfour wins Oscar”, The Guardian, 23/2/15] e Lauren Duca [“Edward Snowden Releases Statement Following ‘Citizenfour’ Oscars Win”, Huffington Post, 22/2/15]

Título original: Filme sobre Snowden ganha Oscar de melhor documentário

O longa Citizenfour, sobre Edward Snowden, ganhou o Oscar de melhor documentário na noite de 22/2. O filme, dirigido pela documentarista Laura Poitras, segue o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) que vazou milhares de documentos sobre o programa de vigilância online do governo americano e hoje vive exilado na Rússia. Citizenfour faz uma análise do impacto do vazamento e do papel de Snowden como figura pública.

Foi através de Laura, que é americana e vive em Berlim, que Snowden chegou ao jornalista Glenn Greenwald, que trabalhava no jornal britânico The Guardian e foi o primeiro – junto com Barton Gellman, do Washington Post – a divulgar as informações vazadas pelo técnico de informática. As equipes dos dois jornais ganharam um Prêmio Pulitzer em 2014 na prestigiada categoria de Serviço Público por sua cobertura com base nos vazamentos.

Ao receber o prêmio na cerimônia do Oscar em Los Angeles [22/2], acompanhada no palco por Greenwald e pela namorada de Snowden, Lindsay Mills, Laura agradeceu ao técnico por seus sacrifícios. “Eu divido [este prêmio] com Glenn Greenwald e os muitos outros jornalistas que assumem riscos para expor a verdade”, discursou ela.

A documentarista ressaltou, ainda, a importância das atitudes do ex-funcionário da NSA. “Os vazamentos de Edward Snowden não apenas expõem uma ameaça a nossa privacidade, mas à democracia em si. Quando as decisões que nos governam são tomadas em segredo, perdemos o poder de controle sobre nós mesmos”, afirmou.

Projeto ambicioso

“Citizenfour” era o codinome usado por Snowden quando começou a se comunicar com Laura pela internet. A documentarista, que filmou o primeiro encontro do técnico com Greenwald e o correspondente de Defesa do Guardian, Ewen MacAskill, em Hong Kong – para onde ele fugiu quando decidiu que iria vazar as informações sigilosas do governo americano –, teve que editar o filme em Berlim, por temer que o FBI pudesse confiscar o material. “Quando [Laura] filmou Snowden, Greenwald e eu em Hong Kong, nunca pensei que ela tinha em mente algo tão ambicioso como Citizenfour”, afirmou MacAskill.

Em declaração divulgada pela organização American Civil Liberties Union, Snowden parabenizou a documentarista. “Quando Laura Poitras me perguntou se podia filmar nossos encontros, fiquei extremamente relutante. Fico feliz de ter permitido que ela me convencesse”, afirmou ele. “O resultado é um filme corajoso e brilhante que merece a honra e o reconhecimento que recebeu. Minha esperança é que este prêmio encoraje mais pessoas a assisti-lo e que elas sejam inspiradas pela mensagem de que cidadãos comuns, trabalhando juntos, podem mudar o mundo”.

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