Finalmente, o Festival


O texto a seguir é do irrequieto e sempre polêmico jornalista Franklin Jorge. Peguei em seu BLOG. As críticas descritas abaixo talvez mostrem o porquê de tamanho isolamento deste escritor – um talento perdido, escondido em Mossoró.

Escapei hoje de ir ao Festival de Martins. Iria a trabalho e poderia atestar ou discordar dos ditos do escritor. Ainda assim, de uma coisa devo concordar: esse Festival nada traz de retorno à comunidade.

Por Franklin Jorge

Martins — Começou, finalmente, o festival gastronômico que este ano tem uma programação cultural paupérrima. Não que fosse de melhor nivel nos anos anteriores, mas esta edição dá provas de evidente esgotamento. Na área de artes plásticas, o nivel continua abaixo da critica: obras sem qualidade reunidas sem nenhum critério.

Um dos problemas decorrem do calote que um dos genros da governadora, Roberto Sena, responsável pela montagem do festival, deu em trabalhadores locais. Ficou devendo a pessoas que trabalharam em edições anteriores desse festival, divida que ultrapassa os R$ 30 mil reais, um valor significativo para a realidade econômica local.

Hoje à tarde estive por algum tempo na mesa redonda sobre o cangaço na literatura, mediada pelo jornalista Osair Vasconcelos, segundo soube também autor da idéia. Considerei uma penitência, diante da indigência, por exemplo, de um Gilbamar de Oliveira, quem falou muito e não disse nada. Um tipo que não consegue ser sequer jocoso, apesar da tonelada de tintura que pôs nos cabelos em visível flagrante com sua idade avançada. Devia ter gasto esse dinheiro com tintura, instruindo-se, comprando livros etc.

Salvou-se Kyldemir Dantas que se municiou de uma vasta bibliografia. No mais, não sei como Honório condescendeu em participar desse engodo. Recursos gastos irresponsavelmente, sem nenhum retorno para a comunidade, que aliás não participa desse festival.

Retirei-me quando o escritor François Silvestre interviu, defendendo uma tese completamente equivocada: colocou no mesmo patamar figuras díspares como Winston Churchill e Lampião. Para ele, deformado pelo que se convencionou chamar de “cultura popular”, François, o escritor antihumanista por excelência, ambos seriam heróis ou bandidos. Contestava assim Honório que, respondendo a curiosidade de uma moça que se identificou como sendo do Sudeste brasileiro, queria saber se Lampião era mesmo herói ou bandido, respondeu que “herói era Churchill”; “bandido, Lampião”… Achei demais a defesa que François fez de um notório bandido… A proposito, François lança amanhã seu novo livro, o melhor que escreveu até agora, sobre o qual pretendo escrever oportunamente.

O melhor foi mesmo as nossas aventuras gastronômicas pela cidade com Honório e sua filha, Bárbara. E minhas conversas com os martinenenses ilustres, não pela posição social, mas pela experiência de vida e sabedoria adquirida pela experiência. No mais, chegamos ao mais baixo patamar da cultura. Penso que os organizadores desse festival precisam urgentemente repensá-lo. Do contrário, o fracasso será definitivo.

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