FJA: escolhas ou escolhos?

Não costumo votar em partidos como o DEM, não votei em Rosalba para governadora e nem pensei sequer na hipótese, até porque não acreditava (e talvez ainda não acredite) em seu projeto. Votei em Carlos Eduardo, por várias razões e lamentei que não tivesse obtido o apoio do PT, inexplicavelmente.

Mas, por ser do RN, torço para que Rosalba consiga melhorar algumas de nossas condições e tire o governo da lama em que aparenta estar (por sinal, a condução governamental de Dona Wilma, principalmente, e de Iberê, de forma secundária,  decepcionaram-me. E eu fui um dos mais entusiastas eleitores na primeira das campanhas, em 2002).

Nesses dias, ando mesmo é preocupado com as escolhas da nova governante mossoroense. Principalmente, no que diz respeito ao nome que vai erigir à condição de condutor da Fundação José Augusto, nossa Secretaria Estadual de Cultura.

Sei que há alguns nomes postos por aí. Por enquanto, daqueles que eu soube, nenhum me agrada. Alguns são nomes batidos e com históricos já ultrapassadíssimos no que tange ao trato com a Cultura e com a coisa pública. Outros nomes que me disseram, ainda não testados, não me convencem de que têm perfil de gestores administrativos competentes.

Acredito que a classe cultural do nosso combalido RN tem que ficar alerta e não aceitar qualquer nome. Lembro que foi na Cultura onde os escândalos governamentais começaram no que concerne à administração que passou, destruindo biografias que até então pareciam incólumes (e tal desconstrução não se deu somente dentre os nomes da cúpula).

Um governo que sabe tratar com respeito e delicadeza da cultura demonstra sensibilidade e seriedade, de início, para o tratamento das demais questões.

Vamos ficar atentos para o que virá. Não vamos engolir qualquer coisa. Os cuidados públicos com a cultura de nosso povo não podem se situar em nível inferior de preocupações e atenções. Há projetos que merecem ser postos em mesa. Há ideias vitoriosas do passado que precisam ser resgatadas. Há uma imagem e uma obra a serem salvas.

Vamos rezar (?) e trabalhar para que erros graves do passado não sejam repetidos. Tudo a depender, a princípio, de uma única escolha. Acho que essa é, também, uma responsabilidade a ser compartilhada por nossos intelectuais.

Que este SPlural, através de seus colaboradores, não fique omisso e nem silente num momento como esse! Se pudermos, devemos influenciar na escolha. E, quando a escolha for finalizada, devemos fazer os questionamentos devidos e a necessária fiscalização. Ou será que esse não é o nosso papel e responsabilidade de cidadãos e de pessoas que pensam?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 13 comentários para esta postagem
  1. Alex de Souza 30 de novembro de 2010 10:46

    A Palumbo deste mês deve trazer um artigo meu sobre o assunto. Não vou reproduzir aqui por enquanto em respeito à publicação, que ainda não chegou às bancas.

    Mas, em resumo, a posição que defendo é a seguinte: mais importante que nomes, devemos pressionar por projetos e políticas para a cultura. Nós, enquanto artistas, devemos pressionar por aquilo que queremos. Quem estiver à frente da pasta, seja quem for, precisa assumir esse compromisso.

  2. Lívio Oliveira 30 de novembro de 2010 12:38

    Concordo, caro Alex. É isso mesmo. De qualquer sorte, se não for um bom e forte nome, nem pense que vai ter peito para realizar os “projetos e políticas para a cultura”. Ou você acredita em Papai Noel?

    Mas, gostei de ler: “Nós, enquanto artistas, devemos pressionar por aquilo que queremos.”

    Vamos em frente!

  3. Tácito Costa 30 de novembro de 2010 15:51

    Lívio tem razão. O nome é o mais importante. Deve ser um gestor capaz e com trânsito no meio cultural.
    Alex também está coberto de razão. O nome não é o mais importante. Se não contar com apoio governamental – melhor dizendo, da governadora, porque os burocratas odeiam cultura – estará perdido.
    Estou otimista. Até agora Rosalba tem demonstrado interesse pelo setor. Foi ao debate na Casa da Ribeira, enfrentando uma platéia que politicamente não lhe era favorável (Carlos Eduardo, em quem votei, era o preferido), esteve no Festival Literário da Pipa e na peça Sua Incelença Ricardo III. Talvez esse signifique alguma coisa.
    As dificuldades na FJA não serão menores do que nas outras secretarias. Não queria estar na pele de nenhum secretário do novo governo.

  4. Lívio Oliveira 30 de novembro de 2010 16:44

    Todos têm razão. rsrsrsrs

    Sinceramente, Tácito, mesmo com minhas discordâncias eventuais com você, eu gostaria muito que estivesse, sim, na pele do novo Secretário da FJA. Com trânsito livre em meio a artistas e intelectuais e com experiência de sobra e sensibilidade quanto ao assunto, você preencheria todos os requisitos. E não estou sendo demagogo, bajulador ou jogando confetes, até mesmo porque temos poucos nomes com os critérios adequados para o cargo e você é um que se destaca naturalmente, sem precisar ninguém dizer isso. Estou, apenas, chovendo no molhado.

    Tem mais: não quero ver nenhum “Napoleão de Hospício” naquele cargo.

    Mas, como sabemos que os critérios políticos são os que preponderam…

    Ademais, prefiro você na liderança do SPlural.

    Vou dar um palpite: pode ser que Rosalba aponte o Cid Augusto. Quem sabe? Pode até ser um bom nome.

  5. Tácito Costa 30 de novembro de 2010 17:19

    Lívio, agradeço a generosa lembrança, mas não tenho perfil de administrador ou secretário. Nâo será por falta de pessoas qualificadas que a FJA ficará sem presidente.

  6. Dinarte Assunção 30 de novembro de 2010 17:23

    Antes de mais nada, a turminha da Cultura precisa superar as intrigas paroquiais que alimentam as panelinhas das rodas (ditas) de cultura dessa cidade.

    Um bom começo é cobrarem juntos as políticas de cultura; se unirem. Como as refregas são insuperáveis e quem vota preto não se mistura a quem elegeu branco vão ficar nesse lenga-lenga de cobrar dos governantes até Deus sabe quando.

  7. Lívio Oliveira 30 de novembro de 2010 17:30

    Caro Dinarte,

    Você acha mesmo que “cobrar dos governantes” é “lenga-lenga”?

    Não entendo o porquê. Dá para explicar melhor?

    Respeitosamente,

    Lívio

  8. Erivan S. da Costa 30 de novembro de 2010 20:22

    A quem você se refere como “fora da cúpula”? Se for a Zé Antônio eu também concordo. Pra mim foi uma desagradável surpresa.

  9. Lívio Oliveira 30 de novembro de 2010 21:37

    Não sei de quem se trata, Erivan.

  10. Dinarte Assunção 2 de dezembro de 2010 9:08

    Lívio,

    É lenga-lenga uma turma que sai do poder cobrar (e geralmente falar mal também) de quem entra. Exatamente o que acontece com os culturetes dessa província.

    Essa batalha infantil sobre quem faz mais e quem faz menos, pano de fundo (de mal gosto) das reinvidações dos promotores da Cultura é um lenga-lenga.

    A mania de fingir respeito uns aos outros, quando se sabe que nã se suportam é um lenga-lenga. Tem mais, contudo não vou me estender sob pena de perder minha manhã escrevendo sobre o lenga-lenga que move a Cultura desse estado.

  11. Lívio Oliveira 2 de dezembro de 2010 11:17

    Dinarte, mas que lenga-lenga é esse? Pare com isso, homem!

  12. Dinarte Assunção 2 de dezembro de 2010 13:03

    Lenga-lenga é o que estaremos fazendo se continuarmos nessa conversa, caro Lívio.

  13. Lívio Oliveira 2 de dezembro de 2010 20:47

    É,,,

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