Flip

BLOG PROSA/O GLOBO

O editor-executivo da Record, Carlos Andreazza, tornou pública a sua “perplexidade” com o que considerou a exclusão da literatura brasileira na programação da Festa Literária de Paraty (Flip) deste ano. Em uma carta aberta publicada nesta terça-feira em sua página no Facebook, Andreazza afirma que, embora publique “cerca de 25 autores brasileiros por ano”, poucos foram convidados para participar da feira. Entre os autores publicados pela Record, apenas dois estarão na Flip este ano: o jornalista americano David Carr (que estará na mesa “Narradores do poder”, em 2 de agosto) e o astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser (mesa “Ouvir estrelas”, em 3 de agosto).

“Foram meses de busca incessante por diálogo, por poder apresentar meus autores e trocar ideias a respeito – mas nada. Quando muito, para ser preciso, depois de semanas insistentes, uma resposta evasiva, quase um favor, uma migalha, e logo o silêncio restabelecido – a impossibilidade de ir adiante na conversa. E então isto, de súbito, o anúncio dos escalados para a FLIP 2014, a que quer questionar o poder: poucos, pouquíssimos – se com boa vontade – escritores de literatura brasileira, ademais numa concentração editorial bárbara, e nenhum daquele que é o maior e mais representativo catálogo literário do Brasil”, escreveu Andreazza, acrescentando que levou a carta também ao “tão competente quanto inacessível” Paulo Werneck, curador da festa.

Werneck, por sua vez, garante ter se comunicado longamente com Andreazza por e-mails, diz ter disponibilizado seu telefone e conta que avisou há quase dois meses que um dos critérios para sua curadoria para a Flip 2014 foi não repetir autores que já tivessem participado de edições passadas.

– Eu discordo que a Flip esteja mal de brasileiros literários. Temos Marcelo Rubens Paiva, Elliane Brum, Antonio Prata e outros. Na poesia, temos Charles Peixoto e Gregório Duvivier — diz Werneck. — Considero natural que um editor queira ter mais autores na Flip. Quando eu era editor, eu queria que mais autores que eu editava estivessem na Flip. O Andreazza acaba de assumir o cargo e deve estar ansioso para fazer um bom trabalho. Mas há um número limitado de convites, e distribuí conforme meus critérios de curadoria. Fiz um exercício de não repetir escritores e deixei isso claro para os editores. A Record tem ótimos escritores, vários que já estiveram na Flip e que poderiam retornar. Não foi uma escolha por exclusão.

A 12ª edição da Flip acontece entre 30 de julho a 3 de agosto. Entre os brasileiros convidados, estão o líder indígena Davi Kopenawa e a fotógrafa Claudia Andujar, na mesa “Marcados”; Eliane Brum, Gregorio Duvivier e Charles Peixoto, na “Poesia e prosa”; e Fernanda Torres, na “Romance em dois atos”.

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