Flip confirma a vinda do poeta árabe Adonis

Vencedor do Prêmio Goethe 2011, o poeta sírio-libanês defende uma poesia livre das amarras das instituições políticas e das obrigações religiosas

Considerado o poeta vivo mais importante da lírica árabe moderna, o sírio-libanês Adonis, radicado em Paris, participará da décima edição da Flip, que acontece entre os dias 4 e 8 de julho de 2012.

Defensor aberto de uma postura laica, o escritor, admirado pelo estilo moderno e ao mesmo tempo elegante se diz adepto da poesia livre das amarras das instituições políticas e das obrigações religiosas. Pensador internacional, Adonis tem seu trabalho publicado em 22 países.

Primeira obra do poeta traduzida no Brasil, será lançada em junho, pela Companhia das Letras, uma antologia do escritor. Foram selecionados poemas dos três períodos da sua produção: 1954-1968, 1970-1985 e 1994-2003. A seleção e tradução foram feitas por Michel Sleiman, grande conhecedor da obra de Adonis.

Tendo emigrado para Paris, em 1980, para escapar da Guerra Civil Libanesa, foi professor de língua árabe na Sorbonne durante anos. Domina o idioma francês, se comunica bem em inglês, mas garante que só fala o árabe. “É em árabe que penso, falo e escrevo”, costuma dizer o poeta. Vencedor do Prêmio Goethe 2011, foi homenageado por ter ”transposto as conquistas do modernismo europeu aos círculos culturais árabes’“. Um luto profundo e um pavor devido à perda de humanidade permeiam o poema Nova York, de Adonis, parte do ciclo Tempo entre rosas e cinzas, que o autor recitou durante um festival em Berlim, no ano de 2003.

Adonis se tornou conhecido com o lançamento de seu terceiro livro de poesia, Cantos de Mihyâr, o Damasceno, publicado no início dos anos 1960. A partir de então, sua obra passou a ser considerada significativa. Em 1973, escreveu uma tese de doutorado sobre O estático e o dinâmico, que se tornou uma das fontes mais importantes de poesia árabe desde o período pré-islâmico. Recebeu, em 1977, no Festival de Struga Poetry Enings, da Macedônia, a Corona de Oro, por sua trajetória literária.

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