FlipAut! – Uma Década de Resistência Cultural

Fotografias: Stephanie Bittencourt

Em dezembro de 2020, veio a público o livro “10 Anos de flipAut!”, celebrando uma década de resistência cultural do festival literário alternativo de Praia da Pipa. Talvez muita gente não pense nisso, mas fazer um livro implica não só inspiração, mas muita transpiração também… (risos). Um longo processo que vai desde a concepção da ideia até o momento do lançamento.

A ideia de realizar uma publicação comemorativa dos dez anos de festival literário alternativo de Pipa nasceu durante uma conversa informal com Abimael Silva, ainda em dezembro de 2018, enquanto estávamos sentados nos degraus do palco da Praça do Pescador, eu acompanhando com um olho o encerramento das atividades da feira de livros e com o ouvido escutando Abimael falando.

Ele me sugeriu apresentar o projeto aos empresários da Pipa para custear a impressão do livro e até me deu uma ideia de um valor estimado. A feira fechou, seguimos todos para a sede do sarau de poesia erótica; ele tomou umas cervejas, eu umas caipirinhas e não tocamos mais nesse assunto.

Em meados de 2019, organizando a décima edição do festival, lançamos uma campanha online de crowdfunding para reformar as barraquinhas da feira literária e pensamos em inserir no projeto também a ideia do livro comemorativo. O projeto apresentado era bem claro nesse sentido: primeiro as barraquinhas e depois, sobrando dinheiro, o livro. A campanha foi bem sucedida, as barraquinhas reformadas ficaram bem boas; grana para o livro sobrou pouca: cento e quarenta e sete reais.

Guardamos as notas entre as páginas de um livro.

Em 2020, é notório que a pandemia CV19 revolucionou a vida de todos os que não vitimou. Pessoalmente, após ter organizado todas as coisas na Praia da Pipa, vim me entocar por longos sete meses aqui na minha casinha à beira do rio, no sertão do Vale do Assu.

Após alguns meses de incerteza geral e uma patente letargia pandêmica, tornamos a falar de produção cultural nas redes sociais; a ideia do livro do flipAut! voltou à tona no messenger, sobretudo conversando com Cellina Muniz, que logo se ofereceu para ajudar e, de fato, foi a colaboradora principal no processo de edição do livro.

No começo, tentamos arranjar algum tipo de patrocinador, seja localmente (Pipa e Tibau do Sul) seja a nível estadual (Cosern, FJA), mas passados uns meses sem conseguir o apoio necessário, decidimos editar um produto totalmente independente, no característico estilo do flipAut! e, de sobra, fortalecer o conceito das EDIÇÕES FLIPAUT como um selo independente cujo slogan fosse “bons livros, com um preço popular” ou algo parecido.

O formato do livro, que no começo previa também umas páginas coloridas com fotografias, ficou mais enxuto para garantir uns custos contidos e o tal preço popular. Os editais da Lei Aldir Blanc vieram depois, quando o livro já estava no prelo. Dentre muitas gráficas conceituadas, escolhemos uma menos nota talvez, que nos ofereceu um produto de qualidade por um preço bem em conta. Quem quiser saber o nome da gráfica, me mande uma mensagem pelo e-mail.

Outro grande desafio foi a questão do conteúdo: a pesquisa e escrita dos anais, de um lado, e a campanha para recolher alguns depoimentos de quem participou do evento, do outro. A pesquisa foi acurada, deu muito trabalho mesmo, mas nos deu também a satisfação de contabilizar em dez anos de festival literário alternativo a beleza de quarenta e oito diferentes oficinas com estudantes e público livre, mais sessenta e sete lançamentos, dentre livros, cordéis e zines.

A redação dos anais foi demorada e a revisão de Cellina fortaleceu a criação de um estilo e uma padronização de tanto texto. Tentamos inserir todas as atividades que aconteceram anos após anos e só algumas bem periféricas, creio, ficaram por fora. Para os esquecidos sem querer, minhas sinceras desculpas.

Convidamos muitas das figuras locais (Pipa), de Natal e da cultura nordestina em geral que participaram do flipAut! ao longo de uma década, a enviar um depoimento para compor as páginas do livro; um bocadinho respondeu sim, mas alguns deles provavelmente vão enviar o texto só em tempo para a diagramação da segunda, ou terceira edição (risos).

Nessa primeira edição, impressa numa tiragem de trezentos exemplares, contamos com a valiosa colaboração e participação de: Adaécio Lopes, Adriano de Sousa, Cefas Carvalho, Cellina Muniz, Fred Caju, Francisco Fernandes Marinho, Jaqueline Silva, João Batista de Morais Neto, Marizé Assis, Manoel Onofre Jr., Oreny Júnior, Raul Pacheco e Sandra Almeida. A todas e todos aproveito para mandar um grande e sincero abraço, com toda minha gratidão e toda a felicidade de ter cumprido o desafio.

Fora os anais e os depoimentos dos convidados, o livro contém também uns textos temáticos sobre assuntos relacionados ao festival, como o concurso de microcontos, o blog histórico, a origem do acrônimo FLIPAUT etc.

Muito importante citar e agradecer mais uma vez os MECENAS da PIPA, que dessa vez garantiram a distribuição gratuita de cerca quarenta exemplares do livro em todas as escolas do município de Tibau do Sul, nas bibliotecas comunitárias, nos locais parceiros dos municípios das cercanias e assim por diante, IFRN de Canguaretama, Casa de Cultura de Goianinha e outros.

Quanto ao [pseudo] lançamento do livro, ele acabou sendo altamente simbólico e muito participado por quem tem o espírito do flipAut! Já no sangue. Quando, no comecinho de novembro, tivemos que anunciar que não iríamos poder realizar a 11ª edição do festival em 2020 por causa da pandemia, todos achamos isso justo e conveniente, mas deveras ficamos tristes demais por não ter no dezembro por uns dias a praça de Pipa cheia de milhares de livros, como sempre.

Por isso, de repente, o lançamento do livro comemorativo foi um momento intenso para os muitos que todo ano se juntam pelo amor aos livros e à cultura por baixo da bandeira do flipAut! na pracinha. Por uns rápidos minutos nos encontramos na Praça do Pescador, aos poucos, sem fazer aglomeração e com a mascarazinha no rosto, trocamos abraços à distância e sorrisos escondidos.

Mas todo mundo foi embora com otimismo, sim; todo mundo querendo saber quando vamos começar a organizar a próxima edição…

*

Se ficou com vontade de ler o livro:

– em Natal, o livro “10 Anos de flipAut” – Uma década de resistência
cultural” encontra-se à venda por apenas 20 R$. no Sebo Gajeiro Curió,
Mercado de Petrópolis, às terças, quintas e sábados das das 8h às 13h
– (84) 99606-8957;

– na Praia da Pipa, na banca de Pacha Carbo, na Ecofeira de Pipa, na
Praça do Pescador,  toda sexta-feira das 16h às 20h.
– na Pipa, também é possível solicitar entregas pelo whatsapp: (84)992024210.

Graças à valiosa parceria com o Sebo Gajeiro Curió do amigo Oreny Júnior, o livro “10 Anos de flipAut! – Uma Década de Resistência Cultural” está disponível também na Estante Virtual, nota plataforma de venda online. Se você não mora na Praia da Pipa ou em Natal pode adquirir seu exemplar dessa forma.

Italiano enraizado no Brasil há quase 30 anos, gosta de fazer coisas, ler, escrever, fotografar, jogar xadrez, andar em bicicleta e canoa. Morou por mais de 20 anos na Praia da Pipa e, há algum tempo, mudou-se pro Vale do Assu, sertão do RN. [ Ver todos os artigos ]

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