Florbela Espanca: algures, uma flor perdida

Por Joice Folha

Lendo alguns poemas de Florbela Espanca, na Internet, lembrei-me de um livro que esqueci em um ponto de ônibus, era uma antologia da autora d’O livro de mágoas. No momento que me dei conta da perda, um desespero interno tomou conta de mim, quis descer do ônibus, mas já estava longe demais, obviamente, alguém teria já encontrado. Uma ilusão poética tomou conta de mim, pensei então que alguém encontrara o livro, e estava tendo o mesmo deslumbramento sedutor que tive ao ler a poeta.

Minha alma se perdeu dias e dias entre as linhas daqueles sonetos. Nos dias alegres e tristes lá estava eu, lendo aqueles poemas que pareciam ser feitos para mim. Florbela fez emanar do meu espírito minha dimensão mais caracteristicamente, digamos, conduzindo-me a pensar que existe, sim uma poesia que, não se direcionando exclusivamente às mulheres, contudo, não perde de vista traços inerentes ao ethos das mulheres quando da sua atuação na cena social.

Hoje estou planejando deixar mais livros de Florbela pelos pontos de ônibus, pois encontrar o livro com seus poemas é como receber flores de alguém especial. Talvez aquele livro tenha mudado a vida de alguém. Talvez os versos da poeta tenham sido feitos para aquele ou aquela que o encontrou.

Graduanda em Letras pela UFRN

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