Folhas que andam

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A folha verde desliza pelo chão
Não obstante o caminho, segue
Gravetos, buracos, raízes, nada impede
De subir, de descer, nenhuma condição.

Um lance cuidadoso principia
Uma curva difícil e ousada para cima
Num giro súbito a folha se inclina
Tinha vida a folha? Por que vivia?

Sobe a pedra, inabalável, não há fadiga
Arrojado esforço, vertical e persistente
Porém, antes que no destino ela consiga

Chegar, ponho-me a olhar cuidadosamente
Todos os dias andam as folhas, indiferentes
Repousadas sobre o corpo frágil das formigas.

Comentários

Há 10 comentários para esta postagem
  1. Olavo Saldanha 22 de outubro de 2012 22:14

    Dan, grande abraço, quando nos veremos outra vez?

  2. Danclads Andrade 19 de outubro de 2012 23:38

    Maravilha, Olavo!!!

  3. Olavo Saldanha 16 de outubro de 2012 10:07

    Jairo, grande abraço, me honra seu comentário.

  4. Olavo Saldanha 16 de outubro de 2012 10:06

    Livio, me sinto honrado com sua observação. Abraço, poeta.

  5. Olavo Saldanha 16 de outubro de 2012 10:04

    Jóis Alberto, abraço. As formigas já são por si só uma ilustração da classe operária ou da organização social. Bacana a observação, acho que é um tema aberto e amplo.

  6. Jairo Lima 15 de outubro de 2012 22:30

    Caba bom, viram?

  7. Lívio Oliveira 15 de outubro de 2012 16:58

    Evito qualquer análise sobre a forma do poema. No entanto, quanto ao conteúdo de poesia, vejo belezas. Vejo, sim.

  8. Anchieta Rolim 15 de outubro de 2012 10:43

    Valeu, POETA!

  9. Jóis Alberto 15 de outubro de 2012 10:24

    Gostei do poema. Muito bom! E a ilustração está perfeita. Será que o texto pode ser lido como uma metáfora sobre a divisão do trabalho nos mais diversos tipos de sociedade? Acredito que a poesia permite diversas leituras, inclusive essa.

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