Folhas

folhas

O que importa,
E o que não importa…
Não quero saber do amanhã;
Vivo cada dia
Com a mesma precisão
Dos ponteiros;
Sorvo por inteiro
Os segundos, os minutos, as horas.
Ontem? Já foi, passou,
Jamais voltará a ser.
Ontem é um hoje tão vago,
Como uma folha de papel
Amarelada, manchada,
Escrita ou descrita
Com letras apagadas.
Turvas memórias, verdades nebulosas.
Minha estranha, hoje, verdade.
Hoje? Sorri, não chorei, pensei, repensei,
Corri, limpei meu quintal,varri, juntei
Nas folhas do desarrumado sentimento meu,
… Secas folhas…
O suor e a dor que jamais voltarei a ter.
Anoiteci, divaguei, senti falta, saudades,
Ausências, não chorei…
E, de certo, não chorarei jamais
Reticente memória…
Só carrego comigo agora
O tique-taque do tempo
Que caminha…
De encontro a nenhum lugar,
Por que hoje, também, já quase finda,
Dadas as horas do dia.
Até o Sol já se foi…
E fica comigo um conforto n’alma,
Uma paz que não transgrido.
A noite é sempre assim: calma…
Serena como “um amante”,
Que me beija terno e me faz repousar.
Tenho com ela uma cumplicidade;
Com ela todos os segredos que não digo;
Com ela… Todo o mistério e o meu sorriso.
E o que importa
Não é o que falta,
Mas, o que está presente no sossego,
Ausente no medo,
Longe ou perto,
Dentro ou fora
Hoje a noite é calma…
O ontem passou…
E ficou comigo apenas
O que sou.

(Ednar Andrade).

Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. Anne Guimarâes 3 de abril de 2011 20:23

    Entendi, Ednar querida…
    Obrigada pela citação!… nosso elo é inviolável, tenha certeza disso.
    Apesar da crítica…temos sim essa natureza que também é útil e que faz tão bem. Aliás, o que seria de nós sem a poesia?
    Poesia é verve, essência, é técnica e encantamento,
    estudo fiel e rosas…gérberas, tulipas, orquídeas…
    E claro – nós duas – flores do campo, simples e felizes até na tristeza.
    Beijos no espírito, minha amiga anil.

  2. Ednar Andrade 3 de abril de 2011 11:12

    Obrigada, Danclads, por tanto carinho.

    “E o que importa
    Não é o que falta,
    Mas, o que está presente no sossego,”

    E você sabe, que faz parte do meu sossego.

    Beijos.

  3. Ednar Andrade 3 de abril de 2011 11:10

    Verdade, meu lindo.

    Tudo passa e é pensando nisso que sou feliz hoje e te amo hoje; eles passarão, nós passarinhos… Rs…

    Beijo, querido.

  4. Ednar Andrade 3 de abril de 2011 11:07

    Anne, menina azul, menina lilás, menina cor do mar, já senti que temos este entrosamento. Se somos doces, melosas, líricas, “batatinhas quando nascem…”… Rs…, nossas batatinhas são úteis amiga. Elas falam dos sentimentos, coisa que aqui fica claro: não temos vergonha de sermos sensíveis.

    Obrigada, mais uma vez, amiga das letras.

    PS: já recebi os e-mails enviados por ti. Ameiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!

    Azul, como nós,havia nele todo um perfume de algas e algo de verdadeiro que não dispenso nunca, jamais.

    Beijos, bom domingo, amiga.

  5. Anne Guimarâes 2 de abril de 2011 22:35

    Opa! Tácito, colegas e leitores…
    Minh’lma = minh’alma
    E onde tem a palavra encantado..é no feminino.
    Desculpe o engolir de letras e a troca também.
    Ótimo domingo a todos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    🙂

  6. Anne Guimarâes 2 de abril de 2011 16:21

    Querida Ednar…
    Amei o seu poema, como sempre a minh’lma reconhece os seus versos e encantado canta a música do seu coração.
    “Nas folhas do desarrumado sentimento meu…”
    Que lindo, sereno, reflexivo verso.
    Meu abraço afetuoso, minha amiga de letras
    e de mar…
    🙂

  7. Danclads Lins de Andrade 2 de abril de 2011 11:41

    Somos o que herdamos das nossas vivências e do tempo… Minha notívaga e lunar poetisa.

    E como bem o disseste:

    “E o que importa
    Não é o que falta,
    Mas, o que está presente no sossego,
    Ausente no medo,
    Longe ou perto,
    Dentro ou fora
    Hoje a noite é calma…
    O ontem passou…
    E ficou comigo apenas
    O que sou”.

    Você sempre a nos brindar com pérolas como esta.

  8. João da Mata 2 de abril de 2011 1:05

    ontem passou passam todos
    passo doble
    passo

    “eles passam eu passarinho”

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