Fome

Sou uma besta quadrada em termos de crítica literária. Mas se esse poema de jairo Lima não for belo, é porque mudaram a definição da palavra na última edição do Houaiss.

Fome
Jairo Lima

a taça magra
o vinho insone
em pé
o pão deitado
pleno de si mesmo
a faca (o gume)
a carne
o incenso diário dos temperos

a liturgia dos panos sobre a mesa
o relógio expectante
que impõe silêncio aos seus aços

o tempo aguarda o ritual da fome
(ainda longe) o corcel da hora pasta os seus ponteiros
a espera de que nódoas e migalhas sobre a toalha
autorize a cavalgada que envelhece rebocos e azulejos

Jornalista, com passagem por várias redações de Natal. Atualmente trabalha na UFPB, como editor de publicações. Também é pesquisador de HQs e participa da editora Marca de Fantasia, especializada em livros sobre o tema. Publicou os livros “Moacy Cirne: Paixão e Sedução nos Quadrinhos” (Sebo Vermelho) e “Moacy Cirne: O gênio criativo dos quadrinhos” (Marsupial – reedição revista e ampliada), além de várias antologias de artigos científicos e contos literários. É pai de Helena e Ulisses. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 4 de junho de 2010 20:04

    Alex:

    MElhor cobrar a dívida em versos.

  2. Nina Rizzi 4 de junho de 2010 12:58

    como dizia a sábia italiana “rte é che fa benne per ochio”; no caso do jairo, pra todos os sentidos.

    beijos.

  3. Jairo Lima 4 de junho de 2010 11:59

    Mata o véi, Alex, vai! Brigadão. Fico te devendo uma cachaça.

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