Ford impressiona. Antonioni emociona

Concordo com Marcos sobre a imagem vinculada ao post de Monteiro. É um poema. O plano emoldura a cena do personagem e, enchendo os nossos olhos, projeta-nos no infinito desertificado do homem e da vida no Oeste americano. Do homem e da vida de qualquer parte do mundo. Até de nosso Sertão nordestino esturricado.

Por falar nessa cena, digo que é de emocionar o comentário de Caetano Veloso (no documentário “Coração Vagabundo”) acerca de uma cena de um dos grandes filmes de Michelangelo Antonioni: “Profissão: Repórter”. Uma cena em que a câmera ultrapassa grades (ninguém sabe como se fez aquilo. Você sabe, Monteiro?) e chega ao ambiente externo. Há, talvez, alguma semelhança com a cena de Ford.

E o que segue no documentário sobre Caetano Veloso é mais emocionante, ainda: o grande Antonioni (já nos seus derradeiros dias) assistindo e ouvindo, silente e compenetrado (a imagem estava num lap top que lhe levaram), uma interpretação de Caetano, tendo como fundo a própria cena de “Profissão: Repórter”.

Foi Caetano Veloso quem escreveu essa canção abaixo (que se chama, simplesmente, “Michelangelo Antonioni”):

Visione del silenzio
Angolo vuoto
Pagina senza parole
Una lettera scritta
Sopra un viso
Di pietra e vapore
Amore
Inutile finestra

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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