7 apontamentos do escritor Juliano Freire para formação de jovens leitores

O jornalista e escritor Juliano Freire já lançou três livros voltados ao público infanto-juvenil. Um deles editado pela prestigiada Cortez e outros dois bancados por conta própria. Investiu em torno de R$ 25 mil nos dois. Isso já faz uns cinco anos. O livro de Juliano foi adotado em escolas de referência em São Paulo e Minas Gerais. Em Natal, apenas nos últimos anos duas escolas particulares, após convencimento junto a professores, adotaram seus livros. “No lançamento do último livro, uma família de pernambucanos comprou; o natalense não chegou nem perto”. No entanto, Juliano – que tem projeto para novo livro, ainda sem editora – acredita no futuro leitor. “Espero um dia ver livros feitos aqui, lado a lado com o das grandes editoras nas estantes das livrarias, cada vez mais raras em Natal”. Ele aponta alguns caminhos e iniciativas para potencializar esse público.

1) Bibliotecas – “As crianças têm lido mais, inclusive na rede pública onde professores estimulam a instalação de bibliotecas. A gente escuta essas histórias nas palestras que fazemos em escolas”.

2) Programas de governo – “O trabalho do Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE) tem promovido importantes campanhas, seminários e ações em prol da educação e do incentivo à leitura entre jovens”.

3) Exemplo parlamentar – “A iniciativa da vereadora Eleika Bezerra em adquirir livros de autores potiguares para ajudar na montagem de estantes de livros em dezenas de escolas públicas da capital tem sido de grande valia”.

4) Jovens Escribas – “A Editora Jovens Escribas tem feito excelente trabalho em desbravar o mercado editorial e levar o livro e o escritor às escolas”.

5) Linhas de financiamento – “A criação de linhas de financiamento para livros a juros baixos seria um incentivo ao mercado. E mercado aquecido, claro, tem livro barateado e maior público leitor. Em projetos de até dez ou vinte mil reais, o empreendedor/autor poderia pagar parte do empréstimo com certa quantidade de exemplares dos livros, palestras em escolas, etc. Já sugeri a ideia a vereadores de Natal, mas não tive sucesso”.

6) Iniciativa privada – “Existe um mercado potencial em Natal. As crianças estão lendo mais, graças a um ‘exército’ de professoras abnegadas. É um filão a ser incentivado e explorado, inclusive pela iniciativa privada. As empresas também podem ajudar, investindo no patrocínio de livros. A aplicação de recursos é pequena e não deve haver a desculpa de só investir se houver vinculação a leis culturais. O livro pode ser um bom vetor de marketing, relacionando as empresas a um produto de qualidade e duradouro”.

7) Agentes de Leitura – “Esse programa precisa ser mantido pelo Estado e adotado pelo município. É um grande vetor de incentivo à leitura de jovens de baixa renda, onde o livro normalmente não chega. Cidades interioranas, zonas rurais. E se adotado em Natal, em bairros periféricos”.

Foto: Márcia Arruda Câmara

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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