Fotografar é ser poeta

Foto Sebastião Salgado

Há tempos que sou um amante e um amador, um diletante fiel e entusiasmado da fotografia. Acredito até que tenho alguma boa intuição, um olhar interessante e certeiro para a figura a ser registrada pela máquina em interação e arranjamento com o corpo e com as nossas sensibilidades e inteligências. Infelizmente, por algum descuido meu e por falta de disciplina adequada, ainda não me aprofundei como deveria nas técnicas e demais conhecimentos que envolvem a arte de fotografar, algo que as boas escolas e associações – tais como a Aphoto – têm se disposto a colaborar no aperfeiçoamento. Ou seja: eu podia ser um fotógrafo amador bem menos amador e muito mais amante. No entanto, quero fazer antes a minha defesa aqui afirmando que já participei de alguns eventos maravilhosos dessa associação mais do que especial. Pude constatar e confirmar, in loco, a felicidade de transformar um momento – a princípio individual e de isolamento para a captura da foto – num congraçamento e intercâmbio harmoniosos com diversas outras pessoas que compartilham da paixão pela fotografia. Minha pena, portanto, resta diminuída em face desses pontos positivos no meu currículo.

Ademais, a minha simpatia cresce porque capitaneando essa entidade está um amigo de velhas datas e muitos bons momentos vividos em parceria: Alex Gurgel é um dínamo, um sujeito que mergulha de corpo e alma nas coisas que faz e está sempre motivado e motivando todos os que estão próximos. É um animador dos melhores e não se cansa jamais de repassar seus conhecimentos de maneira generosa, afetiva e plena de humor a todos que a ele recorrem. Por isso só me dá tristeza quando penso nas oportunidades de viagens e excursões fotográficas que perdi ao longo da existência dessa entidade. Claro que quero receber muitas outras lições, além daquelas que já tive com Alex e com os demais aficionados que compõem esse grupo que já se firma positivamente na história da fotografia e na fotografia da história potiguar. Pretendo me (re)organizar para tanto.

Logo que eu reordenar horários, atividades e responsabilidades concorrentes que mantenho em minha vida, buscarei a meta já antiga de me aperfeiçoar nessa arte da fotografia que, em suma, é fazer poesia (algo que amo profundamente) com os próprios olhos, é escrever poemas com a retina e o instrumento posto diante do objeto a ser fotografado ou, em derradeira análise, poetizado. Sensibilidade essencial se desata para captar a beleza que, às vezes está expressa, às vezes oculta, mas sempre se mantém em meio às paisagens todas, ares, mares, rios, florestas, cidades…ou nos escaninhos mais misteriosos das intimidades humanas. Fotografar é fazer poesia. E essa turma faz poesia só da boa nos cliques que se repetem e se multiplicam pelo RN e em outras fronteiras. Viva a Aphoto! Viva a fotografia e os fotógrafos (profissionais ou amadores) do Rio Grande do Norte! Viva a fotografia porque também é poesia!

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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