FOTOGRAFIA: O belo-horrível dos sertões castigados pela seca e novo livro de fotografia a ser lançado na praça

Quando o chão racha clemente após embate covarde contra o sol, a seca triste e desolada vira paisagem; vira rotina. E faz do sertanejo um forte para tirar água de pedra durante meses, anos, vidas. A médica paraibana da sertaneja cidade de Catolé do Rocha, Veronica Barreto, sabe o que é isso, cresceu nessa paisagem sazonal e às vezes teimosa em sumir do mapa ou abraçar o ciclo mais frio. E quando o pingo cai, a mágica acontece. E a paisagem vira paisagem. De novo! Verdes renascem da terra. Azuis se espraiam no açude. Mas o laranja permanece, sempre. É a matriz do sertão; é a terra, é o arrebol, é a cor de chita, do couro. E tudo é motivo para paisagem. Tudo são quadrantes. E Verônica captou algumas veias de chão de Catolé do Rocha e do sertão potiguar; cinzas predominantes e rios em agonia. É o sertão de hoje; seco, rico e resistente; sertão dos fortes.

E aqui vai uma informação fundamental: A poesia se unirá à imagem imaginária sendo escrita com tinta e papel no mesmo livro intitulado “Pelos Caminhos do Olhar”, que será lançado no próximo dia 29 na Pinacoteca do Estado. Verônica se juntou ao professor e poeta catarinense Miguel Nenevé. Um manjar para deleite dos olhos e da mente como se os versos completassem a luz da imagem. São fotos feitas no Rio Grande do Norte, durante expedições fotográficas promovidas pela Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto). Outras fotos foram feitas no interior de Santa Catarina, na linda e verdejante cidade de Campo Alegre, um verdadeiro paraíso. Abaixo, segue uma mostra da paisagem seca no interior do nosso RN e também da vizinha Catolé do Rocha, na Paraíba. Um cinza cortante e um azul resistente para mostrar que há sempre esperança no sertão.

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Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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