A fotografia no limite da fotografia

Por Paula Geórgia Fernandes

“Produzimos imagens com o celular carregando a possibilidade do clique a qualquer instante, guardando apontamentos imagéticos, sem planos prévios, mas que em conjunto, podem revelar histórias, paisagens, sentimentos, através desta linguagem universal e que tudo converge: A Fotografia.”

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Fazemos parte de uma geração que convive com o uso de tecnologias onde o multimídia é elemento amalgamado à contemporaneidade. Alguns, já nascem multimídia. E isso, é relação complexa. Venho de uma época de transição entre o analógico e o digital. Passo hoje por um processo de vislumbre com as ferramentas digitais, mas ainda nutro profundo respeito e certa curiosidade a processos analógicos que não cheguei a conhecer em função da já evolução digital existente do tempo que nasci e tomei consciência de vida.

Já nesta época, a fotografia podia ir a qualquer lugar. Hoje, chega a lugares onde não havia consciência disso. Com o uso dos atuais dispositivos midiáticos de massa e ferramentas tecnológicas, a super exposição que a fotografia tem hoje seguem o ritmo “Produzir (clicar) – Difundir – Expor”. Esse fenômeno pode ser visto pelos dois lados da moeda. Há muita exposição, é verdade. Mas também, reflexões acerca da imagem nas temáticas da memória e patrimônio, pensamento e reflexão sobre o “que é fotografia” e sua atual intensidade de produção de imagens. Nunca se falou tanto em mercado editorial e sobre produtos relacionados a este setor, produzidos a partir de imagens experimentais, isso sem falar nas estratégias de fomento e estímulo à educação visual.

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A verdade é que o mundo imagético rompeu fronteiras geográficas e adentrou ao mundo digital transpondo também estas barreiras. Há uma intensa visibilidade de tudo o que se produz e isso proporcionou a artistas estrangeiros e brasileiros que sua produção visual seja facilmente visitada ao alcance de um clique (ou de um “curtir”). Produzimos imagens com o celular carregando a possibilidade do clique a qualquer instante, guardando apontamentos imagéticos, sem planos prévios, mas que em conjunto, podem revelar histórias, paisagens, sentimentos, através desta linguagem universal e que tudo converge: A Fotografia.

Cabe ao fotógrafo observar o pensamento e seu modo de lidar com esta produção, observando os limites sem limitar-se, estendendo-se aos desejos da linguagem e experimentando conceitos a partir do pensar-clicar, comprimindo tempo, buscando estéticas, vivendo experimentos. Até quando lhe for importante. A melhor câmera é aquela que sempre está com você, ao mais fácil alcance. O que você produz com isso é liberdade, pensamento e reflexão de um mundo que muda em um piscar de olhos, como o clique.

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* As imagens deste artigo são de minha autoria, produzidas com o aparelho celular, através do aplicativo Hipstamatic, que simula uma câmera analógica, e que possibilita a “troca” de filmes e lentes, como uma câmera analógica em sua essência.

Convivo com uma fotógrafa, uma arquiteta e uma gestora de projetos no mesmo corpo físico e mental. Um caleidoscópio seria mais fácil de entender. [ View all posts ]

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