Fragmento de Marfim – por Rainer Maria Rilke

Meigo pastor que sobrevive
ternamente ao seu trabalho de guardador
trazendo ao ombro
restos mortais de uma ovelha.
Meigo pastor que sobrevive,
em marfim que amarelece,
ao seu papel de guardador.
O teu rebanho perdido
quanto tu, permanece,
na lenta melancolia
da tua imagem companheira
que compendia, até ao infinito,
o repouso dos soberbos pastos.

(in Frutos e Apontamentos – Dívida de Coração à França; título original: Vergers; tradução e introdução de Maria Gabriela Llansol, Lisboa: Relógio D’Água Editores, 1996, pág. 41).

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 12 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 31 de março de 2011 7:36

    já tenho este, aprovas?

    ah, lívio
    o poeta das barbas marfins
    o maior romeu
    morreu

  2. Lívio Oliveira 30 de março de 2011 23:00

    Anne, não se preocupe, amiga. Ainda estou vivo. Apesar de já ter epitáfio. Beijinho.

  3. Lívio Oliveira 30 de março de 2011 20:57

    Jarbas, amigão, sou grato pelas homenagens que me prestou por ocasião dos meus velório e funeral. Quando precisar saberei retribuir.

  4. Anne Guimarâes 30 de março de 2011 19:57

    Lívio, querido…
    Vi agora que vc não está muito bem… Torço que logo se recupere, seja lá qual for essa síndrome. De bebida, pouco entendo…rsrsrs… mas se precisar de alguém pra pesquisar sobre o que sente, conte comigo…o fato de ter uma auto-imune (ainda incurável) me facilita o interesse pela pesquisa médica, sempre estou conectada a sites e estudos recentes na medicina.
    No mais, desejo a você… a paz verde da esperança e da saúde, a cor do viço, da cura, da revitalização corporal e emocional que merece ter, ser, viver.
    Viva lindo, Lívio…Este espaço precisa de você, em todos os lados…em todas as estações.
    Beijos esmeraldinos.
    🙂

  5. Jarbas Martins 30 de março de 2011 19:10

    não profanem o epitáfio.
    leia-se:

    e aqui jaz
    o poeta oliveira,
    cúmplice e más-
    cara de rilke vieira.

  6. Jarbas Martins 30 de março de 2011 19:07

    e aqui jaz
    o poeta oliveura,
    cúmplice e más-
    cara de rilke vieira.

  7. Lívio Oliveira 30 de março de 2011 15:55

    Desculpas já aceitas, meu amigão Jarbach. Tá tudo sob controle, por enquanto, mas algo pode piorar. Tenho que me cuidar.
    Ei, mestre Jarbas, espere aí que eu vou ali colocar um termômetro.
    Enquanto isso, aceito os seus bons préstimos a este moribundo.

  8. Jarbas Martins 30 de março de 2011 15:36

    desculpa, Lívio, se não levei a sério quando me falavas da tua doença.é que pessoas da minha idade ( há três meses dos 68) não costumam se atemorizar com doenças e a morte, essa indesejada de manuel bandeira.abraços, amigão.

  9. Lívio Oliveira 30 de março de 2011 15:22

    João, meu cronista e físico-gramático predileto, tinha certeza disso.

    Muito obrigado pela informação e pelos desejos de melhoras.

    Talvez eu me cure. Faça suas preces.

    p.s. Também ando muito elegíaco, macambúzio e sorumbático. Deve ser a dor da coluna.

  10. João da Mata 30 de março de 2011 15:03

    Livio, Rilke é um dos meus poetas prediletos. Adoro suas elegias.
    Estive em Duíno onde ele escreveu uma das mais vigorosas poesias, vendo o Adriático e um dos horizontes mais distantes e belos do planeta.
    Impressões de minha 1ª viagem à Europa 1986.
    Estimo melhoras paa voce. abç

  11. Lívio Oliveira 30 de março de 2011 14:17

    Obrigado, meu meigo pastor anglicano.

  12. Jarbas Martins 30 de março de 2011 12:13

    soberba postagem, amigo lívio.nunca antes, neste substantivo plural, uma tradução de rilke esteve em tão cuidadosas mãos. e em tão soberbos pastos.

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