Franco Maria Jasiello

III – Poetas do Ryo Grande do Norte

“quem trincará a coragem da manhã nos dentes”

para os amigos Jarbas Martins, Fernando Monteiro e Baia

Assim como a delicadeza de uma memória guardada no fundo d´alma as palavras e os gestos fazem lembrar um grande colega de credo e amor pela arte. FMJ era um homem elegante e culto. Um gentleman e bibliófilo.

… um poeta Ítalo / natalense (de coração) e de tantas contribuições para a nossa cultura. Tradutor do grego – traduziu entre outros -, a minha amada Safo do trono incrustado de ouro;

“ As estrelas ao redor da bela Lua escondem seu luminoso rosto quando cheia, em seu triunfo de prata, resplandece sobre toda a Terra”

Certa vez me ofereceu os dois belos volumes da “Arte e Sociedade nos Cemitérios”, do Clarival do Prado Valadares. Sempre encontrava com ele nas livrarias e teatros. Dizia-me, o bom livro no Brasil tem tiragem pequena e é preciso comprar logo.

Escreveu um belo prefácio para a 2ª edição do livro “Dante Alighieri e a tradição popular no Brasil”, do Cascudo; Jasiello comenta do sepultamento vertical com os pés para cima descrito por Cascudo e comprovado por ele na Lombardia. Daí a superstição de não colocar calçado emborcado.

A memória, o arquétipo junguiano, a matéria dos costumes, é preservada através dos símbolos. Dante é a voz do povo que Cascudo transporta para os nossos costumes.

Nesse livro, escreve Franco: Cascudo é etnográfico, historiador, crítico, mas acima de tudo POETA, ARTISTA (grifo nosso).

FMJ também era um apaixonado pela nossa cultura e tradições populares. Não perdia uma semana do folclore no mês de agosto (que conseguiram acabar). Uma vez estava sendo apresentada ao uma lapinha com um menino recém-nascido e sem roupa. Jasiello sofria junto comigo com aquela encenação tão real para uma representação do nascimento do menino Deus.

Um grande poeta laurreado escreveu inúmeros livros de poesias. Do livro “As estações náufragas” (Achiamé, 1981, RJ), selecionei o poema Ininterruptus como demonstração do grande e erudito poeta que foi FMJ.

ININTERRUPTUS

O navegar primeiro em nossa pele.
A preamar das línguas
o remanso dos dedos.

O veleiro depois em nosso porto.
A maresia da espera
o entardecer da água.

A hora lenta de ancorar-me
é essa, contra a lua nascente
penetro teu corpo decrescente
aumento em teu respiro
sou onda em teu gemido.

As palavras se quebram, se repartem.

Em ti refluo. Em mim flutuas.

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