fumar, não fumar

se eu não tivesse acendido aquele cigarro com aquela brasa que me disparou feito uma chispa pra mil e uma noites de odisseus e seus espaços acossados, talvez não houvesse a confusão dos livros, nem em mim e nem você e resnais, meu amor. talvez, se eu ascendesse um após o outro no próprio bira e então tivesse rompido nossos encouraçados alcançando os impérios sensoriais e dançavámos um tango nas amérikas.

certo é que eu devia ter deixado de fumar. mas meu corpo em transe é uma terra árida e precisa precisa de aventuras, júlios e gins, vê se me entende. não tem essa de falácia, são sombras em meio à essas tantas luzes da cidade. né nada disso não. sem essa de ficção científica, deixa disso de me querer ler as entrelinhas e vamos à fricção anatômica. deixa os mecanicismos e me traz umas laranjas que esses cheiros de frutas me deixam na lua, amazona nua. vamos viver a vida, meu bem, que estamos marcados pra morrer, cabra, e é lindo nosso encontro.

por que não aqui? uma cidade como tantas outras? sim, eu sei que nunca te vi, mas eu sempre te amei. por que te amo? ora, te amo porque devo te amar e isso nada tem com o tabaco. é o nosso filho… aquele filme só nosso que não se encontra em prateleiras dos sonhos idiotas do grande ditador do consumismo e seus cidadãos.

pode ser assim: quanto mais fervente mais ternurante. você me aparece com uma rosa que se despetala em seus dentes. eu acendo um cigarro porque tremo de saudades de tudo que não vivi. talvez você faça uma careta porque a fumaça embaça, por fora por dentro não. incríveis exércitos se formam à nossa volta porque tudo é um hino ao amor e eles sabem que somos deus e o diabo, bolas de sabão. up.

não. eu não acendo um cigarro. eu sou ninóthcka e o processo é só um: te olho, te caminho. e você lê meu corpo, livro de cabeceira. depois gozamos tudo que aconteceu naquela noite.

e fumamos um cigarro.

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