Futuro…

“entre pilares brancos de mármore líquido houve uma e mais uma manhã” (poeta Jairo Lima, in Livro da Sétima – Danças).

Já há algum tempo que tenho lido textos – de autores consagrados – sobre a arte da escrita. Dentre eles, mais recentemente, li Mario Vargas Llosa (“Cartas a um Jovem Escritor”), Rosa Montero (“A Casa da Louca”), Schopenhauer  (“A Arte de Escrever”), e tenho agora em mãos um livro de Milan Kundera (foto), intitulado exatamente como “A Arte do Romance”. Nesse livro, traduzido por Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca, e publicado pela Companhia das Letras/Companhia de Bolso em 2009, há ensaios que são momentos de elevada análise acerca da condição criadora e criativa do escritor de romances.  E há, também, uma entrevista que Kundera deu a Christian Salmon acerca de “métier” tão fascinante.

Trago para o público leitor deste blog algumas passagens interessantes sobre as relações que Kundera estabelece entre a escrita de romances e o futuro que se anuncia:

“Creio apenas saber que o romance não pode mais viver em paz com o espírito de nosso tempo: se ainda quer continuar a descobrir o que não foi descoberto, se ainda quer ‘progredir’ como romance, ele só pode fazê-lo contra o progresso do mundo”.

E Kundera escreve mais:

“Outrora, eu também considerei o futuro como único juiz competente de nossas obras e de nossos atos. Mais tarde é que compreendi que o namoro com o futuro é o pior dos conformismos, a covarde adulação do mais forte. Pois o futuro é sempre mais forte que o presente. É realmente ele, com efeito, que nos julgará. E, certamente, sem nenhuma competência.

Mas se o futuro não representa um valor a meus olhos, a que estou ligado: a Deus? à pátria? ao povo? ao indivíduo?

Minha resposta é tão ridícula quanto sincera: não estou ligado a nada, salvo à herança depreciada de Cervantes.”

Vale refletir.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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