Galeano ganha prêmio por livro de futebol

BARCELONA, 22 DEZ (ANSA) – O escritor uruguaio Eduardo Galeano foi anunciado hoje como o ganhador da sétima edição do Prêmio Manuel Vázquez Montalbán no gênero jornalismo esportivo.

O autor de “O Futebol ao Sol e à Sombra” de 1995, em que reconta a histórias dos mundiais, ganhou hoje a premiação internacional que a associação de jornalistas da Catalunha entrega desde 2004.

No livro, um clássico do jornalismo esportivo, o uruguaio reúne episódios e personagens que lhe permitem descrever glórias e misérias de um esporte cujos efeitos transcendem ao que ocorre no campo de futebol.

Conhecido por sua paixão ao esporte, Galeano se diz um “mendigo do bom futebol”. Durante a Copa ele conta ter colocado em sua porta um aviso dizendo “Fechado para o Mundial”, para poder acompanhar a última edição do torneio — quando o Uruguai conseguiu conquistar umas inesperada quarta posição na competição.

Entrevistado pela ANSA durante os últimos dias do Mundial, o autor lamentou que o campeonato tenha terminado “quase como uma Eurocopa”. E disse não gostar que o primeiro Mundial africano tenha se encerrado sem seleções regionais ” e contando com jogadores africanos muito bons jogando para times que escravizaram seus avós”.

Ele ainda se mostrou animado com seleções como de Gana, Argentina e Paraguai, que mesmo perdendo, regressaram a seus países festejados pela população. Porque no futebol, assim como na vida “tem coisas mais importantes que o êxito ou o fracasso”, conclui.

Galeano também é conhecido como o autor de “As veias abertas da América Latina”, de 1970, obra clássica sobre a colonização da porção latina do continente americano e de “Memórias do Fogo”, de 1986, ambas traduzidas para mais de vinte idiomas.

O escritor, que em 2010 completou 70 anos, desenvolveu uma importante carreira jornalística na revista Marcha e no jornal Época, que trabalhou no Uruguai, durante a década de 60. Em 1973, dirigiu em Buenos Aires a publicação cultural Crisis, onde se encontrava exilado por conta da ditadura que se instalara em seu país. (ANSA)

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 23 de dezembro de 2010 11:32

    Lívio, pergunte ao meu primo Paulo de Tarso Correia de Melo.Além de ter escrito poemas sobre futebol, Paulo já leu, como Mallarmé, todos os
    livros.Bom, você conhece, bem mais do que eu, a biblioteca dele.Foi ele
    quem me pôs nas mãos esse livro, dizendo-me, de forma provocativa, que
    Galeano era o único comunista que admirava.Falar em anglicanismo, te-
    nho que acertar com Paulo, anglófilo de nascença, se a réplica da Abadia de Westminster será construída em Angicos ou Afonso Bezerra, terra da sua
    avó materna, prima do meu avô paterno.Quero evitar novos rompimentos, por motivos estéticos, culturais, familiares, futebolísticos, políticos e filosóficos com
    ele,Mas se ele continuar intransigente apelo para seu irmão, o Bartola, ou melhor, Bartolomeu Correia de Melo, o último gentleman, um bom papo nas mesas de café,e um dos escritores que mais admiro.A réplica da Abadia de Westminster..será construída.E Moacy Cirne se converterá ao anglo-catolicismo.Abraços, minha doce víbora.

  2. Lívio Oliveira 23 de dezembro de 2010 9:56

    Algo que sempre me deixa curioso é saber que no Brasil, terra de verdadeiros fanáticos por futebol, a nossa literatura tenha se embrenhado tão pouco através das veredas relativas a essa temática.

    Salvo alguns textos esparsos de Nelson Rodrigues, José Lins do Rego e outros poucos, não conheço nada que seja muito consistente sobre o tema no mundo literário nacional. Não há, ao que eu saiba, um romance importante que tenha o futebol como centro temático.

    Aqui na terrinha temos vários belos versos (inclusive de Jarbas Martins) sobre o assunto. Mas, acredito, há pouco no campo da prosa.

    O que acha disso o meu arcebispo angicano, meu poeta anglicano Jarbas?

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