Game of Thrones: Nunca uma série fantasiosa teve tantos atrativos para os adultos

Em um mundo cruel e violento, cabe a uma mulher forjar uma ordem mais justa para reger esse universo fantasioso dominado por bárbaros, povoado de gigantes, mortos-vivos, dentre outras criaturas fantásticas e não menos indomáveis como dragões.

Elementos que permeiam a narrativa da série televisiva de maior sucesso na atualidade: Game of Thrones.

O título remete a uma disputa, um jogo pelo trono de ferro, que representa o domínio dos sete reinos imaginados pelo criador George R. R. Martin, da série literária As Crônicas de Gelo e Fogo e também produtor dessa narrativa audiovisual.

Sua criação delineia um universo complexo, em termos políticos e beligerantes, ao apresentar numerosos personagens divididos basicamente em cinco famílias, além dos circundantes aos clãs.

Esses agrupamentos resumem uma estrutura que entrelaça o motivo da série: a disputa e conquista do trono forjado por espadas e violência.

Daenerys Targaryen, rainha interpretada pela britânica Emilia Clarke, cuja personagem tem se tornado a mais relevante numa série sem protagonista definido, vive dilemas do aprendizado para reinar com justiça.

Ainda que essa trajetória, apesar de bem intencionada e determinada, seja repleta de erros incontornáveis.

Game_of_thrones_2Suas escolhas trarão consequências indistintas dos resultados de outros monarcas.

Ela sabe que a cada passo delineado, articulado com a ajuda de conselheiros nem sempre confiáveis, deve posicionar-se para alcançar seu mundo idealizado com justeza, por meio da força e fogo.

Ao que indica a narrativa até agora, o reino imaginado por Daenerys, não será diverso da contextualização atual regida com crueldade e injustiça.

Ademais, diante dos acontecimentos na última temporada, a rainha acaba por se tornar vítima do poder.

Nobres poderosos, heróis ocasionais, todos podem se tornar reféns neste jogo – e outros tantos serão sacrificados pelas forças impiedosas que regem a narrativa.

A série, em andamento na sua sexta temporada, com episódios inéditos aos domingos, é difícil de resumir para o leitor/espectador com poucas linhas.

Trata-se de um mundo fantasioso em sua essência, com dragões e personagens de poderes sobre-humanos, mas crível pelas intrigas que parecem decalcar da condição geopolítica atual e de outrora.

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Daenerys Targaryen, rainha interpretada pela britânica Emilia Clarke, cuja personagem se tornou a mais relevante numa série sem protagonista, vive dilemas para reinar com justiça

Nunca uma série fantasiosa trouxe tantos atrativos, em especial, para os adultos.

Não apenas pelo sexo onipresente.

Afinal, ousadia é uma das marcas do canal HBO.

O gênero da fantasia serve principalmente para expandir o universo retratado, com a intenção de ampliar possibilidades dramatúrgicas.

O mesmo fascínio exercido para os fãs da criação literária de J. R. R. Tolkien,  de O Senhor dos Anéis, e sua contraparte cinematográfica, comandada por Peter Jackson,  diz respeito a um domínio rico na criação de uma geografia alternativa, composto por personagens críveis em sua dramaturgia que compõem uma fantasia de mundo palpável.

Entretanto, o grande lance de acompanhar os desdobramentos dessa narrativa está nas surpresas e reviravoltas na trama: das nuances dos papéis em jogo ao desapego em relação aos personagens.

Desde o primeiro episódio da temporada inicial, a série deixou fãs em situação de espanto.

Uma criança atrevida escala a torre do castelo e descobre uma relação incestuosa.

Por isso, sua curiosidade é punida com um chute que a faz despencar do alto dessa construção.

O lance deste final do piloto, apesar de não ter sido fatal, deu um ponto de partida para uma situação recorrente: não devemos nos apegar a nenhuma dessas figuras.

Ninguém está a salvo.

Os roteiristas são mais implacáveis do que seus personagens!

Quem diria, um dos prazeres perversos de acompanhar essa narrativa é imaginar qual de suas figuras favoritas terá um destino fatal.

Embora alguns personagens não permaneçam no reino dos mortos.

Professor de comunicação social. Tenho maior interesse em cinema, cinefilia, crítica cultural, literatura e séries de tevê. Meus estudos são relacionados às convergências midiáticas, publicidade, artes e design. [ Ver todos os artigos ]

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