García Márquez o último Buendía

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Todo Buendía que chega à senilidade acaba nas lembranças e no desejo de não ser nada além de passado. García Márquez, o maior de todos, emborcou-se no tempo e agora atravessa os caminhos por onde se derramaram José Arcádio e seu filho Aureliano que destruía os peixes que ele mesmo fazia. García não tem peixes, mas um telefone com o qual se repete como na fundição do ouro em busca de seus próprios mundos, os que foram prensados e estão nas estantes. Vez ou outra, quando são abertos e percorridos, o velho Buendía Márquez retorna à mocidade de suas palavras e reconta a trajetória da Macondo que hora se esconde dos dias claros.

O velho coronel sorri no meio da sala. Recorre aos olhos que se fecham com força e a mão que lhe afaga a tez. Gargalhadas. As vozes que lhe cercam trazem recados e períodos compostos; livros inteiros destruídos na trituradora de papel para que os seus não sofram como um Buendía a lucidez das horas. Jaime, seu irmão, chora como chorou Úrsula e espera, assim como ela, o último verso, mas García não deve se confundir com as plantas de seu quintal, talvez, um dia, ele seja esquecido numa estante da biblioteca velha e lá repouse entre as traças até que sejam desvendados os misteriosos pergaminhos de Melquíades.

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

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