A geopolítica da 3ª guerra mundial

{Enviado por Marcos Silva}

Por Alípio Freire

Mais que nunca, o acompanhamento e estudo da GEOPOLÍTICA é indispensável.

Vocês devem se lembrar do destaque que sempre dei em meus textos durante a campanha (e mesmo antes), à política internacional levada a cabo pelo primeiro Governo da presidenta Dilma, e em específico ao Mercosul e ao BRICS (cujo acerto salientei e que hoje tem cada vez mais meu apoio e sincero elogio) .Do meu ponto de vista, o artigo que ora distribuo, somente dá maior relevo à nossa presidenta e seus assesores/secretários/ministros co-responsáveis por essa política. Portanto, acredito que antes de sairmos indignados (legitimamente ou não) frente ao novo Ministério, tomando – alguns – atitudes um tanto imediatistas de apedrejamento “preventivo”(!), tentemos ler o que hoje acontece em nosso País a partir de importantes parâmetros que cito numerados, mas não por ordem hierárquica:

1. A campanha pela não-reeleição da presidenta Dilma já se manifestou, pelo menos desde os eventos de junho do ano passado, com a direita se infiltrando e manipulando os movimentos populares. Em seguida se estendeu contra e durante toda a Copa (aliás, não sei se vocês se lembram, as vaias e xingamentos baixaria contra a presidenta, especialmente na abertura dos jogos da Copa, as agressões à presidente foram animadas/dirigidas pelo senhor Luciano Huck – depois retirado da cena da Copa, por acusação de prática de lenocínio).

2. Outro fato marcante foi o caso da queda do Cessna (13.08) que levava o candidato Eduardo Campos, e que resultou na sua morte e ascensão da sua vice, a ex-senadora Marina Silva. Já se passaram mais três meses, e até hoje não temos qualquer laudo (ou qualquer notícia) explicando o que aconteceu.

3. Durante a campanha… nem precisamos comentar sobre o ódio, a baixaria além das mentiras inventadas e outras manipulações levadas a canbo pela grande mídia comercial, contra a candidata.

4. No pós-eleição… bem, basta saber ler os jornais e o que é mostrado nas TVs. Por cúmulo da “coincidência” (lembrem-se, ao ler o artigo que envio) a PETROBRAS (nosso monopólio estadal do PETRÓLEO), vem sendo o alvo central da direita – aliás, diga-se de passagem, o jornalista Ricardo Boechat deixou muito claro que, ainda em 1998 no Governo do senhor Fernando Henrique Cardoso, fizera a dúncia sobre a corrupção na estatal – matéria que ganhou o prêmio Esso de jornalismo daquele ano:
“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso veio a público para dizer que sentia vergonha do que estava acontecendo na Petrobras. Eu queria fazer a seguinte observação: Acho que ele [Fernando Henrique Cardoso] está sendo oportunista quando começa a sentir vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que na Petrobras se roubou também durante o seu governo. Ah, mas não pegaram ninguém! Ora presidente! Dá um desconto porque só falta o senhor achar que na gestão do Sarney não teve gente roubando na Petrobras”. (Declaração de Ricardo Boechat no programa BandNews, na segunda-feira, dia 17 de novembro)

5. Ainda sobre a PETROBRAS, vale a pena ouvir o depoimento do ex-deputado Almino Affonso (minsitro do Trabalho no Governo João Goulart) em nosso filme “1964 – Um golpe contra o Brasil”, onde ele diz (e demonstra) como o PETRÓLEO foi sempre o divisor de águas nas eleições brasileiras, desde sua descoberte e criação do monopóplio estatal. (O filme pode ser acessado no yutube).

6. A margem de votos que deram a vitória à reeleição da presidenta Dilma Rousseff não foi significativa (sabemos, mas alguns fingem esquecer), e a direita conseguiu formar maioria na Câmara Federal – para não falarmos dos “mistérios” do Judiciário.

7. Por fim, como já escrevemos em mais de um dos nossos artigos publicados ao longo da campanha no Brasil de Fato, todo o processo eleitoral se deu sob a articulação de um golpe que, entendo, prossegue em curso de modo cínico e deslavado.

8. Por fim, acrescento (embora o artigo que distribuo abaixo, não se refira a isto) que faz parte da estratégia dos EUA para a Rússia, uma série de exercícios militares da Otan, em curso no Mar Negro e que deverão acontecer também no Báltico. Quem olhar no mapa mundi, perceberá claramente o cerco militar que se arma.

Cremos que todas essas “rememorações”, pensadas e articuladas com o artigo que lhes envio abaixo, tornam-se indispensáveis para pensarmos o que fazer e como nos conduzirmos, e quando fazermos.

Um putabraço,
Alipio Freire

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A Geopolítica da Terceira Guerra Mundial

Tradução de Anna Malm*

Correspondente de Pátria Latina na Europa

A verdadeira razão da Rússia e da Síria estarem sendo atacadas exatamente agora.

Contrariamente àquilo em que as pessoas acreditam, a conduta dos países na arena internacional quase nunca é motivada por considerações morais, mas, por uma mistura de dinheiro e geopolítica. Sendo assim, logo que os porta-vozes das elites começarem a demonizar algum país, a primeira pergunta que deveria vir à mente seria:

– Por que estão fazendo isto exatamente agora?

– Qual é a finalidade real disto tudo?

Já, há algum tempo, a Rússia, a China, o Irã e a Síria têm estado na mira como alvo. Logo que se entenda o porquê, os acontecimentos a se desenrolarem no mundo começarão imediatamente a fazer mais sentido.

O dólar é uma moeda única. Na verdade, a sua concepção, nos tempos atuais, assim como a sua relação com a geopolítica, não se assemelha a nenhuma outra moeda na história. Tem-se que não seria o fato de o dólar ter sido, desde 1944, a moeda de reserva internacional, que o põe nesta situação única. Muitas moedas, através da história e dos séculos, tiveram esse papel.
O que é único com o dólar é que ele, desde 1970, tem sido, com muito poucas exceções, a única moeda usada para a compra e a venda do petróleo no mercado internacional.

Antes de 1971, o dólar estadunidense estava correlacionado ao ouro, pelo menos oficialmente e, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, em 1966 os bancos centrais internacionais tinham, conjuntamente, 14 bilhões de dólares estadunidenses. Entretanto, àquela altura, os Estados Unidos só tinham 3,2 bilhões, disponíveis em ouro, para cobrir os 14 bilhões de notas de dólares em circulação . . .

Trocado em miúdos, isto quer dizer que a Reserva Federal dos Estados Unidos estava imprimindo mais dinheiro do que podia garantir, em ouro.
O resultado disto foi uma inflação desenfreada, assim como uma fuga do dólar.

Em 1971, no que depois veio a ser denominado de o “Choque Nixon”, o presidente Nixon declarou o dólar completamente desligado do ouro.
Depois disso, o dólar tornou-se uma moeda completamente baseada no débito, ou seja, na dívida.
Com moedas baseadas no débito, o dinheiro é literalmente levado à existência, através de empréstimos.

Aproximadamente 70% do dinheiro em circulação são criados por bancos comuns. Tem-se, então aqui, que esses bancos são autorizados a emprestarem mais do que eles, realmente, têm em dinheiro depositado: em outras palavras, emprestam o que não têm.
Dessa maneira, segue que o resto é criado pela Reserva Federal. Criando dinheiro, deveria significar que essa estaria também emprestando o que não tem. Entretanto, tem-se, aqui, que a Reserva Federal empresta dinheiro principalmente ao governo.

Isso seria, simplesmente, como dar cheques sem fundo, só que, aqui, para os bancos, isso tornava-se legal. Essa prática veio a ser chamada de reserva bancária fraccional, a ser regulada pela Reserva Federal, que é uma instituição que, como por nada, é controlada — assim como o é uma propriedade — por um conglomerado de bancos particulares. A Reserva Federal não é uma agência ou ramo do governo. Se ela fosse um ramo do governo, este poderia regulá-la e controlá-la.

Agora, para fazer as coisas ainda mais interessantes, esses empréstimos da reserva fraccional exigem juros, mas, como visto acima, o dinheiro para pagar esses juros não existe no sistema, uma vez que se empresta mais do que existe em depósitos. O resultado disso é que, sempre, há mais dívidas do que dinheiro em circulação. Isso faz com que, para se manter à tona, a economia tem que estar em perpétuo crescimento, o que é insustentável.

¿Como terá o dólar conseguido se manter numa posição principal na arena internacional por mais de quarenta anos, se ele é, na verdade, pouco mais do que um elaborado esquema Ponzi? [“Um esquema Ponzi é uma sofisticada operação fraudulenta de investimento, do tipo esquema em pirâmide, que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos (“lucros”) aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro ítalo-americano, Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi).” – Wikipédia]

É aqui que o dólar relaciona-se à geopolítica. Em 1973, nas águas da artificial crise OPEP do petróleo [onde o preço do petróleo subiu às alturas], a administração Nixon iniciou negociações secretas com o governo da Arábia Saudita para estabelecer o que se tornou conhecido como o sistema de reciclagem do petrodólar. Num documento, revelado pelo Serviço de Pesquisas do Congresso, mostrava-se que essas negociações tinham também um outro lado, uma vez que oficiais ianques estavam lá discutindo, abertamente, a possibilidade de tomar os campos sauditas de petróleo militarmente.

Nos Estados Unidos, o choque devido ao alto preço do petróleo produziu inflação, novas preocupações a respeito de investimentos estrangeiros (vindos dos países produtores do petróleo) e uma aberta especulação, não só a respeito da possibilidade, como também de, até que ponto poderia ser aconselhável tentar uma tomada militar dos campos de petróleo da Arábia Saudita, assim como de outros países. Nesse contexto, tinha-se dado um embargo e, nas águas desse embargo, tanto a Arábia Saudita, como oficiais dos Estados Unidos trabalharam para ancorar melhor as suas relações bilaterais — que, então, se baseavam num antagonismo ao comunismo — numa renovada cooperação militar, assim como em iniciativas econômicas que promoviam a reciclagem dos petrodólares sauditas, reciclagem essa, que se daria via investimentos sauditas na infraestrutura, na expansão industrial e nos papéis de investimentos dos Estados Unidos.
Esse sistema foi, em 1975, expandido para incluir toda a OPEP.

Apesar de representar uma margem de segurança contra efeitos de recessão surgidos pelo aumento do preço do petróleo, esse arranjo teve um efeito marginal, menos aberto e mais escondido. Esse arranjo removia também as restrições inerentes às políticas monetárias dos Estados Unidos.

Mesmo que a Reserva Federal não fosse totalmente livre para aumentar a oferta do dinheiro, completamente à sua vontade, agora se tinha que a procura, como que ilimitada pelo petróleo, iria impedir uma fuga do dólar, conquanto distribuindo as consequências inflacionárias por todo o planeta [e não só pelos Estados Unidos, de quando “criando” mais e mais dinheiro, ou seja, imprimindo ou digitando mais e mais cédulas e ou dígitos num computador].
O dólar transformou-se numa moeda apoiada pelo petróleo, em vez de apoiada pelo ouro.

¿Você, alguma vez, já se perguntou como pôde a economia estadunidense conseguir se manter à tona, por décadas, mesmo com débitos, ou seja dívidas, de multibilhões e trilhões de dólares?

¿Você, alguma vez, já se perguntou como a economia dos Estados Unidos, na qual 70% são baseados em bens de consumo, consegue manter uma tal quantidade desproporcional da riqueza mundial?

Hoje em dia, combustíveis fósseis são o alicerce do mundo. Eles se tornaram uma parte integrante de todos os aspectos da civilização: agricultura, transporte, plásticos, aquecimento, defesa e medicina, e a sua procura só faz aumentar.

Enquanto o mundo precisar de petróleo e, enquanto o petróleo só for vendido em dólares, o mundo vai querer ter dólares, e é essa procura que dá ao dólar o seu valor.

Para os Estados Unidos, isso é um grande negócio. Os dólares saem, ou como papel ou como informação digital, e produtos e serviços reais vêm para dentro do país. Entretanto, para o resto do mundo, essa é uma forma vil de exploração em grande escala.

Tendo o comércio internacional principalmente em dólares, isto também dá a Washington uma arma financeira muito poderosa, através da possibilidade do peso das sanções. Isso se deve ao fato de que as transações, em grande escala, são forçadas a passarem através dos Estados Unidos, por causa do dólar.

Esse sistema do petrodólar não tinha sido desafiado antes de setembro de 2000, quando Saddam Hussein anunciou sua decisão de vender o petróleo iraquiano de maneira outra que através de dólares, voltando-se, então, ao euro. Este foi um ataque direto ao dólar, assim como o evento geopolítico mais importante do ano. Entretanto, só um artigo apareceu na mídia ocidental mencionando isso.

No mesmo mês em que Saddam anunciou que ele estava deixando o dólar, uma organização denominada “Projeto para um Novo Século Americano”, do qual Dick Cheney era um membro, apresentou um documento, com o título de “Reconstruindo as Estratégias de Defesa, Forças e Recursos para um Novo Século”. Esse documento requeria um enorme aumento das despesas militares, assim como uma política externa muito mais agressiva, com o objetivo de expandir a dominância estadunidense pelo mundo inteiro. Entretanto, no documento, lamentava-se que muitos anos seriam necessários para que esses objetivos fossem alcançados “na ausência de algum acontecimento catastrófico e catalisador — como, por exemplo, um novo “Pearl Harbor” [Evento esse que, como se sabe, levou os Estados Unidos a entrarem na segunda guerra mundial.]
Um evento desse tipo, eles o conseguiram (¿¡ou forjaram?!) um ano mais tarde.

Aproveitando a reação emocional do 11 de setembro, a administração Bush pôde, então, invadir o Afeganistão e o Iraque, assim como decretar o chamado Ato Patriótico. Tudo isso, depois de 11/9, pôde ser feito sem maiores resistências.

Não havia nenhuma arma de destruição maciça no Iraque, e acreditar nisso não era uma consequência de informação deficiente. Essa foi uma mentira friamente premeditada, e a decisão de invadir o Iraque foi tomada muito conscientemente, quanto ao desastre a ser esperado.
Eles sabiam, exatamente, o que iria acontecer, mas, em 2003, eles fizeram isso de qualquer maneira. Desde quando os campos de petróleo do Iraque caíram nas mãos dos Estados Unidos, a venda do petróleo voltou imediatamente a ser feita somente em dólares. Missão terminada e pronta. Ponto final (?)

Logo após à invasão do Iraque [na segunda guerra do tipo], a administração Bush tentou estender a guerra ao Irã. [Primeira guerra 1990-91; Segunda guerra 2003]. Desconfiavam que o governo do Irã estaria tentando construir uma arma nuclear. Depois do fiasco no Iraque, a credibilidade de Washington estava num nível muito baixo, o que fez com que não conseguissem levantar apoio internacional, ou mesmo nacional, para uma intervenção no Irã. Esses esforços ainda vieram a sofrer sabotagem, por parte de elementos da CIA e da Mossad, que se apresentaram dizendo que o Irã não tinha nem mesmo tomado qualquer decisão no sentido de construir uma arma nuclear, muito menos, então, de começar a construí-la. Entretanto, a demonização do Irã continuou e vem, até hoje, através da administração de Obama.

¿Por quê?

¿Bem, será que isso se deveria ao fato de que, desde 2004, o Irã vem organizando uma bolsa de valores independente para o petróleo? Eles estavam construindo o seu próprio mercado para o petróleo, e esse nada tinha a ver com o dólar. O primeiro fornecimento de petróleo desse mercado foi vendido em julho de 2011.

Não tendo sido capazes de conseguir a guerra que queriam, os Estados Unidos, então, usaram a ONU para impor sanções contra o Irã. O objetivo dessas sanções era o de derrubar o governo do Irã. Apesar dessas sanções terem causado problemas para a economia iraniana, elas não conseguiram destabilizar o país. Isso se deveu, em grande parte, ao fato de a Rússia ter ajudado o Irã a ultrapassar as restrições bancárias dos Estados Unidos.

A intervenção da OTAN na Líbia foi seguida da guerra, por procuração, contra a Síria. Os depósitos de armamentos do governo da Líbia foram saqueados e as armas foram despachadas através da Turquia para os grupos rebeldes na Síria, trabalhando para derrubar Assad. Já estava claro, à essa altura, que muitos desses rebeldes estavam ligados a organizações terroristas. Entretanto, o aparato da segurança nacional dos Estados Unidos via isso como um mal necessário. A ideia era de que o influxo de jihadistas extremistas iria trazer disciplina, fervor religioso e experiência em batalhas, vindas do Iraque. Tudo isso foi financiado pelos simpatizantes sunitas do Golfo e, mais importante, com resultados mortais. Enfim, isso queria também dizer que o Exército Livre da Síria, [FSA na sigla inglesa], estava precisando da Al Qaeda.

Em fevereiro de 2009, Moamar Kadafi foi nomeado presidente da União Africana. Ele, imediatamente, propôs a formação de um estado unificado, com uma moeda única. Foi a natureza dessa moeda que fez com que ele fosse assassinado.
Em março de 2009, a União Africana apresentou um documento intitulado “A caminho de uma moeda africana única”. Nas páginas 106 e 107 desse documento, se discutiam principalmente os benefícios e a estrutura técnica de um Banco Central africano sob um padrão correlacionado ao ouro. Na página 94 desse documento, declarava-se, explicitamente, que a chave do sucesso da União Monetária Africana seria a ligação dessa moeda comum africana à mais monetária de todas as commodities — o ouro. (Note-se que a numeração das páginas pode ser outra nas diferentes versões desse documento.)

Em 2011, a CIA entrou na Líbia e começou a apoiar grupos militantes em sua campanha para derrubar Kadafi. Os Estados Unidos e a OTAN, por sua vez, começaram, depois, a esticar a aplicação da autorização da ONU quanto a uma zona aérea interditada. Isso foi feito, para dar vantagens aos grupos militantes através dos ataques aéreos dos ianques e da OTAN. A presença de extremistas da Al Qaeda entre os grupos militantes foi varrida para baixo do tapete.
A Líbia, assim como o Irã e o Iraque, tinha cometido o crime imperdoável de desafiar o dólar.
Vamos, agora, falar português claro aqui: Foram os Estados Unidos que colocaram o Estado Islâmico (IS/ISIS/ISIL) no poder.

Em 2013, os mesmos elementos, do hoje denominado Estado Islâmico, que então se apresentavam como Al Qaeda, relacionados rebeldes da Síria, lançaram dois ataques com o gás sarin, na Síria. Isso foi feito para acusar Assad de tê-lo feito e para conseguir, então, apoio internacional para uma intervenção militar. Entretanto, o contrário foi demostrado pela ONU e pelos investigadores da Rússia, e essa tentativa de conseguir os desejados ataques aéreos contra a Síria caiu por terra, por assim dizer. A Rússia conseguiu uma solução diplomática dos acontecimentos.
A campanha ianque para derrubar o governo na Síria, assim como também tinha sido feita na Líbia, foi apresentada em termos de “direitos humanos”. É óbvio que este não tinha sido o motivo real.
Em 2009, Catar tinha apresentado uma proposta para um gasoduto através da Síria e da Turquia para a Europa. Assad rejeitou essa proposta. Depois disso, ele fez um pacto com o Iraque e o Irã, para construir um gasoduto, não indo para a Europa, mas para o oriente, tirando, dessa maneira e completamente, tanto a Arábia Saudita como a Turquia do negócio. Não é, então, surpreendente que tenham sido, exatamente, o Catar, a Arábia Saudita e a Turquia os mais agressivos atores regionais atiçando para a derrubada do governo da Síria. ¿Entretanto, por que iria essa disputa de gasodutos pôr os Estados Unidos tão ativos contra a Síria? Vão, aqui, três motivos:

1) O arranjo, desejado pela Síria, iria fortalecer, e muito, a posição do Irã, porque esse permitiria ao Irã exportar para os mercados europeus sem ter que passar através de nenhum dos países aliados de Washington. Isso iria, depois, enfraquecer muito o poder de Washington sobre o Irã.

2) A Síria é o aliado mais próximo do Irã, e um colapso seu iria, com certeza, ajudar a enfraquecer o Irã.

3) A Síria e o Irã têm um acordo mútuo de defesa, o que poderia fazer com que uma intervenção na Síria abrisse as portas para um conflito com o Irã. Em fevereiro desse ano, essa geopolítica complicou-se, ainda mais, por causa da Ucrânia. Aqui, o alvo real era a Rússia, que realmente é o segundo maior exportador de petróleo do mundo. A Rússia é, não só um espinho na coroa de Washington, visto de uma perspectiva diplomática, como também se tem, aqui, que a Rússia abriu, em 2008, uma bolsa de valores energéticos com as vendas sendo denominadas em rublos e em ouro. Esse projeto esteve sendo preparado desde 2006 . A Rússia e a China também estiveram se entendendo para fazer, se não todos, mas muitos dos seus próprios negócios bilaterais, sem o uso do dólar.
Depois, tem-se que a Rússia esteve organizando a União Econômica da Eurásia, a qual inclui planos para adotar uma moeda comum, prevista para um mercado energético independente.
Desde o começo da crise atual, a Ucrânia foi apresentada com duas opções: ou associar-se à União Européia ou entrar na União da Eurásia. A União Européia insistia que tinha que ser ou uma ou a outra. A Ucrânia não poderia entrar nas duas. A Rússia, por seu lado, dizia que afiliar-se às duas não seria nenhum problema. [Provavelmente por causa das condições muito melhores oferecidas], o Presidente Yanukovich decidiu-se pela Rússia.
Em resposta a isso, o aparato de segurança nacional dos Estados Unidos fez uma das suas especialidades. Eles deram um golpe para derrubar o governo de Yanukovich e instalaram um governo com marionetes [só que, dessa vez, com neonazistas na direção]. Para ver a inequívoca evidência do envolvimento de Washington nesse golpe de estado, veja o vídeo “The Ukraine crisis – what you´re not being told”. [O /endereço/url do vídeo segue abaixo em referências e notas.]
This article – Esse artigo do Guardian também vale a pena ser lido.

Apesar de tudo parecer estar indo bem para os golpistas, os Estados Unidos logo perderam o controle da situação. A Crimeia fez um referendo, no qual o povo votou esmagadoramente para uma secessão da Ucrânia e uma reunificação com a Rússia. A transição foi pacífica e feita ordenadamente. Ninguém foi morto. Entretanto, o ocidente imediatamente apresentou todo o acontecido em termos de uma agressão russa. Essa mentira foi depois repetida “ad nauseum”, ou seja, até causar enjoo.
A Crimeia é importante do ponto de vista geoestratégico, por causa de sua localização no Mar Negro. Sua localização permite uma projeção de poder naval ao Mar Mediterrâneo. Tem-se, depois, que a Crimeia fez parte da Rússia a maior parte da sua história moderna. [Sem mencionar, aqui, entre outras coisas, que a grande maioria de sua população é de etnia russa.]
Já, há anos que os Estados Unidos vêm fazendo pressão para incluir a Ucrânia na OTAN. Tal passo iria colocar as forças militares dos Estados Unidos nas portas da Rússia, o que poderia ter feito com que a Rússia perdesse a Crimeia. Essa foi a razão pela qual a Rússia aceitou imediatamente o resultado do referendo e consolidou a Crimeia como parte de seu território. [Do qual, diga-se de passagem, ela nunca deveria ter saído se todos os líderes soviéticos tivessem se mantido sóbrios e capazes de prognosticarem hipotéticos, mas possíveis, cenários futuros, mais acuradamente. Tem-se, aqui também, que durante o tempo soviético, não seria tão importante sob qual jurisdição essa ou aquela região viesse a ser inscrita.]
Depois do caso da Crimeia, teve-se que, no leste da Ucrânia, duas regiões, também de tradição russa, vieram a declarar independência de Kiev, depois de seus próprios referendos.
Kiev respondeu a isso com o que denominaram de uma operação antiterrorista. Na prática, essa foi uma maciça e indiscriminada campanha de bombardeamentos que matou milhares de civis [entre homens, mulheres, crianças, e idosos — com enormes mísseis de distância, de 3-4 metros de comprimento, senão mais, podendo, cada um, ter múltiplas funções com modernos sistemas de bombardeamentos múltiplos, o que incluiria também armas proibidas].
Aqui, tudo indica que, para os ocidentais, matar civis, premeditadamente dessa maneira, não configuraria, como em muitos outros casos semelhantes, atos de agressão. Nesse contexto, deu-se o mesmo quando o Fundo Monetário Internacional advertiu explicitamente o governo provisório ucraniano de que seu pedido de empréstimo de 17 bilhões de dólares poderia estar em perigo se eles não conseguissem acabar com a sublevação no leste do país.
Enquanto a guerra no leste da Ucrânia estava em total vigor, eleições presidenciais foram efetuadas, e Petro Poroshenko foi eleito presidente. Mostrou-se, através dos telegramas expostos pelo Wikileaks em 2008, que Poroshenko tinha trabalhado como uma toupeira [trabalho de agente] para o Departamento de Estado dos Estados Unidos, desde 2006. Os americanos se referiam a ele como “o nosso homem na Ucrânia” e muitos dos telegramas se referiam a informações que ele tinha fornecido. Um telegrama específico mostrava que os Estados Unidos, mesmo àquela altura, já sabiam que Poroshenko era corrupto.
Ter uma marionete a postos mostrou-se, entretanto, insuficiente para dar a posição de vantagem para Washington no decorrer da crise. ¿O que costuma, então, fazer Washington nesse tipo de situações? Os Estados Unidos, representados em Washington, impõem sanções, demonizam, avançam batendo as espadas, ou fazem algum sério ataque utilizando falsas bandeiras.
Essa não é uma boa estratégia em se tratando da Rússia. Na verdade, o tiro já saiu pela culatra. As sanções só fizeram estreitar os laços entre a Rússia e a China e aceleraram a agenda de desdolarização da Rússia. Apesar da retórica, essa estratégia não fez com que a Rússia ficasse isolada. Os Estados Unidos e a OTAN colocaram uma distância entre si e a Rússia, mas não conseguiram colocar tal distância entre a Rússia e o mundo — o que pode ser provado, por exemplo, com o caso do BRICS.
Hoje, esse eixo ou centro antidólar vai além da economia. Esses países, ou seja, China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul [para aqui só ressaltar o BRICS] sabem o que está em jogo. Portanto, nas águas do sucedido na Ucrânia, a China propôs um novo pacto de segurança, incluindo tanto a Rússia quanto o Irã.
Considerem-se as implicações da administração de Obama a bombardear a Síria, uma vez que a Síria tem um pacto de defesa com o Irã.
Aqui, já não se trata de uma segunda guerra fria, mas de uma terceira guerra mundial. As massas podem ainda não ter compreendido o que se passa, mas, seguramente, a história irá lembrar-se disso dessa maneira.
Alianças estão sendo solidificadas, e uma guerra está a caminho vinda de muitas frentes. Se as provocações e as guerras por procuração continuarem assim, será somente uma questão de tempo antes que os principais atores venham a se confrontar diretamente — o que é a receita para um desastre total.

¿Tudo isso lhe parece loucura? Tem razão. Os atuais dirigentes no cenário internacional não podem ser qualificados senão como loucos, enquanto o público vai, como sonâmbulo, direto para uma confrontação definitiva com a tragédia. Se você quiser alterar o curso dos acontecimentos, o melhor será acordar esse público sonâmbulo. Tem-se depois, também aqui, que, mesmo as mais poderosas armas de guerra serão neutralizadas se você conseguir encontrar a mente do homem atrás do gatilho.

¿Mas, como acordar essas massas? Não espere por ninguém para lhe explicar isso. Seja criativo. Pense nos seus filhos e netos e atue no mundo, porque a vida deles está, em sistema de urgência, dependendo de você mesmo.

Referências e Notas:
The Geopolitics of WW III, em Strategic Culture Foundation, 26-09-2014, EDITOR’S CHOICE | 26.09.2014 |www.strategic-culture.org
Texto original de scgnews.com – storm clouds gathering (nuvens tempestuosas aproximando-se) —
Copyright www.strategic-culture.org/ www.scgnews.com
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Anna Malm* – http://artigospoliticos.wordpress.com www.facebook.com/anna.malm.1238

Comentários

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  1. Samara Cruz 27 de novembro de 2014 19:51

    Zbigniew Brzezinski um estrategista que pode-se equiparar a um “Maquiavel” moderno, é o principal mentor da politica externa dos EUA, desde a terrível guerra do Vietnã. Esse senhor ensina no seu livro ” O grande tabuleiro de Xadrez” (tradução livre), que quem dominar a Eurásia, domina o Mundo, e para que isso aconteça, ele ensina com todas as letras, o que os EUA devem empreender para subjugar a Europa Oriental, a Rússia, e o Oriente Médio, e que tipo de acordos devem ser estabelecidos com a China para que seja garantida a Hegemonia da América por muitos séculos. Esse mestre da Geopolítica é de uma franqueza desconcertante, e numa entrevista que ele concedeu a Marcos Losekan da Rede globo (ver no YOUTUBE), quando questionado se as suas ideias não contrariavam os “direitos humanos”, ele disse candidamente que, “a violação dos direitos humanos só são levadas em conta, quando se tratam dos inimigos dos EUA”.

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