Geraldo Vandré

Vandré com a cantora Joan Baez

É verdade Rafael. No início dos anos Setenta nós nos encontramos em São Paulo. Eu estava foragido. Ele já era amigo de um irmão meu, que promoveu nosso encontro. Quando ele resolveu mudar-se definitivamente para São Paulo, ficou hospedado num apartamento onde eu morava com dois outros irmãos. Ou melhor, deixou lá sua bagagem, pois ele não parava em canto nenhum. Fomos nós dois, ele e eu, que encontramos o apartamento da Rua Martins Fontes, sua moradia até hoje. Fica ali perto de onde era o Estadão, esquina da São Luiz, onde depois situou-se o “Notícias Populares”. Edifício Virgínia, e se não me trai a memória ap. 604. Brigávamos muito. Às vezes passávamos semanas intrigados.

Certa vez, viajamos num fusquinha de João Pessoa para São Paulo. Quando chegamos em Feira de Santana, pusemos o fusca em cima de uma carreta e terminamos assim a viagem: Um de nós dentro do fusquinha, lá na carroceira, e o outro na boleia da carreta. E fomos alternando. O interessante é que ao procurarmos uma carreta vazia, que eles dizem batendo, localizamos um rapaz de Martins, João Eudes, conhecido meu de infância, que mora em Mossoró. Hoje, Vandré vive mais tempo no Rio, no Hotel da Aeronáutica. Ou em Teresópolis, onde moravam seus pais, falecidos, José Vandrezígelo e Dona Martha. A mãe de Vandré é descendente direta de Delmiro Gouveia, idealizador de Paulo Afonso. Convivi também com eles e com Guta e Namur, tias de Vandré, que moravam em João Pessoa, na Almirante Barroso.

Geraldo é uma mente inquieta e genial. Ouvido absoluto. Poeta, compositor e cantor, mesmo sem ser músico. Foi vítima de um estúpido e desumano patrulhamento. Taí um texto que publiquei no antigo Blog de Sérgio Vilar, onde há vários comentários de outras pessoas: Pois é. Ele (Geraldo Vandré) ainda deve morar na Martins Fontes, ed. Virgínia, ap.604, continuação da Augusta, antes da São Luiz. Esse apartamento foi alugado após ele deixar sua bagagem por quase um mês no apartamento onde eu morava na Frei Caneca. Que tempo? Só revendo fatos. Uma noite, no Teatro Oficina, eu ousei interromper Zé Celso Martinez, após ele fazer uma séria crítica à UNE. Zé Celso aceitou a crítica e pediu desculpas. Lá dos fundos da platéia dois caras gritaram meu nome. Eram os potiguares Adão e Mafiolleti. Ocorre que eu estava foragido, usando o nome de Paulo. Saímos do teatro; Vandré, Taiguara, Dimas e eu. Geraldo avisou que era preciso irmos a um bar da Europa, para “enganar” a polícia. Foi um porrão de vinho no bar alemão da Martinho Prado. Saudade.

Abraço, François Silvestre.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Mariana Ivens 15 de agosto de 2020 3:11

    A questão do patrulhamento tem relação com uma aparentemente mudança brusca e radical de postura política após o retorno do Chile, com alguns altos e baixos bem pronunciados depois. Mas é direito de cada um.

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