Gérmen

A jangada escorrega

no dorso lí­quido

da terra.

Serpenteando

o pano úmido

do templo,

vê-se o vaqueiro do mar

(lustrado de ouro e gema)

cavando o mapa angular

das cartografias.

 

O engenheiro alcança

o olho além da linha:

túmulo da forma

horária da bússola

e esquadrinha

os pontos cardeais

com a lâmina do remo,

e cose, em seguida,

os lábios do gérmen

ferido.

 

Suturar o relevo táctil

da pedra

faz o jangadeiro

profanar o mel

das serras de sal,

substância viscosa e densa,

imprópria para embarcações

de mastro,

vela

e combustí­vel

artificial.

Advogado, radicado em Aracaju, SE. Diletante das artes literárias, visuais e da boa convivência. Sobre ciência, devota seu tempo a sociologia, antropologia e política. Membro fundador do honorário Grêmio Recreativo Pombo Sujo e do Movimento Sinantrópico. [ Ver todos os artigos ]

Comments

Be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP