Gigante

“Gigante, de Adrián Biniez, cineasta de origem argentina que fez seu filme no Uruguai, ganhou o Urso de Prata em Berlim e o Kikito de melhor roteiro em Gramado. Mas Gigante recebeu também o Kikito de melhor filme da crítica. É melhor, realmente.” Assim começa a crítica de Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo e eu não deveria dizer mais nada sobre este filme simplesmente soberbo. Eu o assisti outro dia no canal Cult e não consigo parar de pensar neste filme. Por que o cinema brasileiro não faz um filme assim?  Apenas uma boa e simples história para contar. História de seres humanos reais, comuns, que você encontra todos os dias na rua, no supermercado, na para de ônibus.

Nem precisa de atores conhecidos, nem de grandes orçamentos. Precisa de um bom roteiro e um bom diretor, só isso. E o enredo é a coisa mais simples que você pode imaginar: um agente de segurança se enamora de empregada da limpeza num supermercado. Pronto. É só isso mesmo. Mas esse homem enorme e feio que fica apaixonado por uma moça apenas bonitinha é de uma beleza estupenda. Uma puta lição de vida para quem não acredita nos contatos humanos, para quem não acredita na palavra.

O amor é tudo isso que é mostrado no filme e muito mais.

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Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. carito 8 de dezembro de 2011 10:28

    P.S.: O doc “Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano”, de Henrique Dantas, também é um registro muito bacana! Como diz a música d’Os (sempre) Novos Baianos: “Caia na Estrada e Perigas Ver”!

  2. carito 8 de dezembro de 2011 10:21

    Assisti a esse filme, Carlão! Aluguei esse e outros muito bons esse ano na Video Laser! Esse filme é literalmente “Gigante”! Um grande filme! Realmente os nossos vizinhos como Argentina e Uruguai têm feito filmes muito bons! Vale lembrar, Don Carlão, que mesmo em roteiros aparentemente simples, muitas vezes ainda rola grana significativa. Mas entendi o que você quis dizer. Recomendo muito os filmes de um cineasta argentino (não sei se você o conhece e já viu os filmes dele): Carlos Sorin, diretor de belíssimos filmes como “Histórias Mínimas”, “A Janela”, e “O Cachorro”. Recomendo também “XXY” da cineasta argentina Lúcia Puenzo, com Ricardo Darín (ator de tantos filmes argentinos como “O Segredo dos Seus Olhos”, que você já deve ter visto). Outro argentino, cuja trama é mínima, mas impactante, é “O Homem ao Lado”, que vi recentemente: fodamente contemporâneo! Ah! Também argentino e contemporâneo, é o apaixonante “Lugares Comuns”. Lindo! Rapaz, o cinema argentino tá foda mesmo, pois acabei de lembrar outro massa: o alegre road-movie “Família Rodante”. Recomendo também o uruguaio “O Banheiro do Papa”. Enfim, são muitos… E acho que você já deve ter visto um montão, Don Carlão! É que adoro cinema e adoro escrever… Aí pronto! O comentário virou quase um post! Mas esse negócio de recomendar é complicado, pois outro dia recomendei o mexicano “Luz Silenciosa” para uma amiga e ela não gostou – me disse que não acontecia nada no filme. Já eu gosto muito desses filmes onde aparentemente não acontece nada. Como diz Luiz Carlos Merten sobre “Luz Silenciosa”: “Os movimentos de câmera são lentos, mas tudo evoca o tempo que passa. Mais vira menos, como queria Mário Peixoto, autor do cultuado Limite”. Por outro lado, no lado de cá, acho que o país de Mário Peixoto e Glauber Rocha também tem feito bons filmes – gostei de “O Palhaço” (de Selton Mello), que vi recentemente no cinema. “Todas as Mulheres do Mundo” marcou minha adolescência! “O Céu de Suely” é simples… e apaixonante! Acho “Lavoura Arcaica” um clássico! O documentário “Santiago” de João Moreira Salles é didático, sensível, poético! Adoro “Abril Despedaçado”, “Terra Estrangeira”…… Sou fã de Walter Salles, Karim Ainouz… VIVA O CINEMA!

    Valeu o post, Don Carlão! Há braços! Há filmes!

  3. Jarbas Martins 7 de dezembro de 2011 16:56

    Tenho visto bom cinema aqui no SP, Tácito.O documentário “DIFAMAÇÃO”, sobre a questão do anti-semitismo na mídia, foi uma ótima sugestão tua. Gostei muito. Espero por outros filmes.

  4. Lívio Oliveira 7 de dezembro de 2011 14:07

    Ufa! Susto grande! Quando vi a foto que encima o texto de Carlão, pensei logo que era um lançamento na Siciliano…

  5. Tácito Costa 7 de dezembro de 2011 14:03

    Assisti, dou fé e recomendo.

    Esse ano vi alguns documentários brasileiros muito bons (Cidadão Boilesen, Lixo Extraordinário…), mas nenhum filme de ficção me chamou a atenção.

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